quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Focalização e subrotinas

Depois de uma longa pausa, em parte a aguardar textos prometidos que infelizmente ainda não foram escritos e em parte por descuido de organização que não me permitiu retomar ainda o meu Blog...até hoje...assim, aqui volto eu.

Antes de mais, gostaria de honrar os "seguidores" que adicionaram este Blog às suas preferências com um agradecimento muito especial, e aproveitar para os convidar a comentar os textos/ideias e teoremas que aqui encontrarem, dado que a intenção não é transformá-lo numa teoria e sim num Blog dinâmico de construção.

Feita esta ressalva, passo a expor o tema que me incentivou a retomar a escrita, nesta Terça-feira pós-natalícia e pré-ano novo.

O tema prende-se com uma experiência que andei a fazer no último ano, e que, em parte, já estava em acção quando escrevi a última entrada.

Trata-se de uma experiência de "focalização mental".

Dito desta forma parece algo profundamente esotérico com toques de espiritualismo oriental...que aviso desde já...NÃO É.

Desde há muitos anos que o meu semi-consciente sempre associou à imagem de sucesso a ideia de uma pessoa (neste caso na minha profissão de Advogado, é quase sempre assim) andar a "viajar para o estrangeiro em negócios"...é estúpido e infantil...sucesso e viagens em negócios (se bem que uma coisa pouco ou nada tenha a ver com a outra).

Eis um objectivo, pensei eu, inócuo e sem grandes efeitos secundários previsíveis...suficientemente vago para experiência e suficientemente objectivo para tentar concentrar parte do meu pensamento diário na questão.

O primeiro entrave que encontrei foi o seguinte..."como vou eu viajar em negócios, se não tenho clientes no estrangeiro e/ou com questões no estrangeiro?".

E este entrave ficou ainda mais interessante quando apresentando a questão a um amigo meu, a título de loucura pessoal, o mesmo me respondeu, em 1.º lugar que era um objectivo um pouco louco porque já era difícil captar clientes cá, quanto mais lá fora, e mencionou, pasme-se uma premissa muito interessante...que foi..."se bem que não era má ideia mandares currículos para Espanha dado que estiveste 14 anos no Instituto Espanhol de Lisboa".

E fez-se um pouco de luz...Espanha...suficientemente perto para tentar a minha sorte, se bem que não tenha interesse em ir para lá viver, dado que tenho a minha vida estabelecida por cá!.

No dia seguinte, num arrebato decidi escrever/abrir uma discussão/anúncio no "Linked In" a respeito de Cobranças em Portugal...onde, em castelhano e inglês explicava os processos mediante os quais s poderia proceder à cobrança de crédito mal parado em Portugal, disponibilizando-me para esclarecimentos adicionais.

Na mesma semana entrei em contacto com amigo meu (advogado inglês a exercer em Paris) e mencionei-lhe a minha disponibilidade para esclarecer eventuais clientes dele na mesma área.

Dediquei cerca de 20 minutos diários a verificar os grupos de discussão e respectivos temas à procura de dúvidas sobre o nosso sistema legal e afins.

Entrei em contacto com amigos no estrangeiro para saber deles e como estavam.

Tudo isto se passou de Janeiro a Fevereiro deste ano.

Em Março começo a trocar correspondência com empresários brasileiros (com quem estou, de momento, a acordar fazer uma sessão de conferências sobre "como investir em Portugal" no Brasil).

Em Maio, surge uma oportunidade fabulosa de ir a Israel substituir uma pessoa numa conferência (onde passei 4 dias com despesas de alojamento e viagem paga).

Em Setembro sou convidado pelo meu amigo inglês a ir assistir a uma conferência em Praga.

Em Outubro tive um Julgamento na Madeira.

Finalmente, em Dezembro tenho que ir a Barcelona e Madrid negociar com dois novos clientes...

Ora...sorte?...milagre?...nem por isso...

Eis a conclusão que retirei desta experiência...

É um facto comum na nossa cultura "rezar para que algo aconteça", pelo menos é uma frase bastante comum, que manifesta uma tradição associada ao conceito de (na minha opinião) "focalização".

Quando alguém efectivamente reza, está a refugiar-se em "tantras" pré-estabelecidos que visam a concentração numa ideia...a causa da reza.

Se está a rezar por algo, o crente focaliza a ideia/objectivo que tem em mente, e usa a oração como veículo e/ou sistema de concentração, dado que está a utilizar um sistema pré estabelecido de frases e conteúdos que visam apenas afastar a sua mente de outros pensamentos que não sejam o "objectivo"...um pouco como os "tantras" budistas que levam a que os monges se focalizem no som por forma a evitar pensar em nada mais que aquele som.

Quando o crente reza pelo mero acto de acompanhar os rituais diários, está a fazer um processo de "pausa" no seu pensamento diário, com eventuais benefícios terapêuticos, que em nada, na minha opinião, o prejudicam.

Ou seja, os métodos estão à vista e são utilizados à séculos, até pela nossa cultura.

Não só na nossa, como em quase todas as culturas mundiais, existem rituais colectivos e individuais que visam a concentração dos indivíduos em objectivos definidos e/ou o fortalecimento da sensação de união com o colectivo (para não referir algo sobre o qual não tenho intenção de me debruçar que é a efectiva adoração de Deus e/ou entidades superiores)

O resultado obvio deste e/ou outros sistemas de focalização (como seja a "visualização" do resultado utilizada no desporto profissional) é que imediatamente a pessoa concentra o seu pensamento e a sua percepção da realidade nesse assunto/objectivo, criando o que num computador seria uma subrotina.

Ao fazê-lo, o seu inconsciente estará a "trabalhar" em sintonia com o consciente, facilitando a percepção e identificação de oportunidades que possam levar à obtenção do resultado, que, não fosse essa "subrotina" passariam desapercebidas no meio de conversas, de leituras, de noticias...em geral na azáfama do dia-a-dia.

A criação da "subrotina", por pequena que seja, gera um acréscimo de possibilidades que deriva da nossa atenção e actuação a respeito de detalhes e situações que de outra forma passariam desapercebidas.

Esta "focalização" derivada da "subrotina", como poderão imaginar é fácil de alcançar e não exige um esforço muito maior do que pensar num "desejo" e explorar durante um tempo os passos hipotéticos que seriam necessários para o obter...ou então, para quem tenha o dom da fé...rezar pela sua concretização...mal não vai fazer.

Algo tão simples como respirar, parece-me a mim...

No entanto, não esquecer que apesar de ter corrido bem, a experiência em sí não tem resultados garantidos… e como o meu objectivo foi viajar…isso é o que tenho feito, em negócios sim, mas ainda não tive outro retorno que não fosse a mera viagem…para dinheiro suponho que a subrotina tenha que ser diferente…

Assim, e com esta interpretação simplista encerro o meu pensamento de 2009 e desejo-vos um fantástico 2010...

PS- Para a semana, se precisarem de alguma coisa de Madrid...digam-me...vou para lá na 5.ª Feira...em negócios!

sábado, 7 de novembro de 2009

Aristóteles e os sinais diários

"Uma vida completa é feita a acrescentar. Uma andorinha só não faz verão, nem um dia. E assim também um dia, ou um curto espaço de tempo, não faz um homem abençoado e feliz."- Aristóteles

Como o PGM já deve ter percebido, isto é uma nitida afronta aos gostos dele. O autor, apesar de ter um nome bem Grego, é tão universal que não sei se lhe podemos dar nacionalidade, mas...bem...o que fazer...eu gosto dele, até porque a sua filosfia era empirista e procurava distanciar-se o máximo possível da mera teoria e fixar-se na "praxis", ou prática.

A frase apresentada não se prende com o tema anterior (o Futuro) e admito que é deliberado, dado que aguardo textos de um astrólogo e de um físico para continuar, pelo que decidí abordar um tema mais mundano e constante na existência do ser humano..a felicidade.

Lembro-me de quando era adolescente defender uma tese perfeitamente aterradora sobre este tema e que se prendia, penso eu agora...cerca de década e meia depois, com a minha incapacidade de me relacionar com os meus "pares" de forma natural.

A tese resumia-se ao seguinte..."a vida é um mar de lágrimas, aborrecimento, dôr e frustação, com picos elevados de felicidade, deslumbramento e emoção que DEVEM compensar e «dar lucro» face à constante tristeza e insatisfação que a marca".

Como podem ver, uma criança que dos 15 aos 25 defende uma tese aberrante desta natureza não deve estar muito bem com a própria vida ou com o mundo que a rodeia.

Tenho que admitir que esta tese me serviu de deculpa para efectivamente não ter aproveitado tanto da vida como poderia ter aproveitado, vítima das minhas frustrações medos e ansiedades (e ainda assim penso ter aproveitado bastante), mas só uns aninhos para além dos 27 anos é que me apercebí da burrice que professei duarnte tantos anos, e hoje vejo-me inclinado a gostar mais desta frase de Aristóteles, por ter mais sentido e me parecer mais correcta.

Efectivamente a vida deve ser um somatório, e o facto de termos uma infancia feliz não faz de nós felizes...da mesma maneira que o facto de termos uma infância infeliz não faz de nós infelizes...da mesma maneira que a felicidade não é um dia, nem uma experiência...nem um periodo...é um resultado a atingir diariamente (e não ao fim de anos).

Todos deveriamos ser felizes sentir-nos completos, diariamente ou pelo menos maioritariamente, e se não o somos...não devemos iludir-nos por pequenos momentos dessa emoção.

E muitos livros de auto-ajuda vemos reflectidas frases que me parecem ser perigosas...como sejam "a felicidade e o bem estar dependem de nós!". "A ausência de Felicidade represnta que estamos a fazer algo de mau para nós mesmos". Enveredando depois por um sem número de técnicas e teorias de mentalização que, senhores e senhoras, lamento opinar que são uma grande fantochada, pois apenas são concebíveis e praticáveis por quem não tem mais nada para fazer.

No entanto concordo com um principio apresentado...depende de nós...mas muitas vezes não depende da nossa vontade e sim da nossa sensibilidade ou consciência sobre nós próprios... e essa consciência não é tão difícil de alcançar como aparenta ser em todos os textos (na minha opinião)...ela está a flôr da pele..

A consciência de que vos falo baseia-se nas nossas sensações diárias.

Todos nós nos sentimos bem e mal perante determinadas situações, certo?

Essa é toda a consciência que precisamos...acompanhar essas sensações durante uns dias e lidar com elas como avisos internos daquilo que estamos a fazer bem ou mal para o nosso espírito/mente/corpo/alma...se prestarmos atenção, vemos que o nosso interior nos diz muito sobre o mundo e sobre o meio em que vivemos diariamente.

Exemplo prático: Diariamente dedico-me, à noite a vêr televisão para descontrair...a partir de uma determinada hora (sensivelmente 00h/1h) começo a sentir-me mal comigo mesmo...irrequieto...a fazer "zapping"...a levantar-me para ir à cozinha fumar um cigarro...e prolongo este acto de sofrimento por pelo menos mais duas horas antes de me ir deitar..porquê?

Porque intrinsicamente eu sei que estou a extender o meu periodo de lazer para além do saúdavel e começo a perder horas de sono que me são preciosas...e opto por ficar acordado à espera de um momento de paz/esclarecimento a respeito do dia que, admito, raramente vem...estou à espera do "pico" de emoção que tanto professava enquanto adolescente.

O mesmo se aplica a outros exemplos mais complexos...que abordarei mais tarde.

Em conclusão...o barómetro existe e está activo...não tem magia, nem é um mistério que se atinge mediante anos de estudo, aulas de meditação e workshops de consciêncialização...chama-se stress, satisfação e insatisfação...senti-mo-lo dentro de nós todos os dias, e fomos ensinados a não lhe prestar atenção dando-lhe nomes e explicações aparentemente racionais (como sejam resultado de uma vida urbana...cansaço...traumas...etc.).

Qualquer sensação é uma mensagem do nosso interior, um sinal quanto à utilidade das nossas acções..incluindo o tédio e o vazio...que normalmente são um sinal de que deveriamos levantar-nos e fazer algo produtivo.

Enquanto olhamos para os céus à procura de sinais divinos, esquecemo-nos de olhar para dentro de nós...o local de onde eles sempre vieram..esse é um dos sentidos da ideia de que fomos criados à Sua imagem e semelhança...o sentido de que somos consciêntes de nós próprios e do mundo que nos rodeia.

Uma dica vos deixo...qualquer sensação "psicologica" é acompanhada de uma sensação física..corporal...focalizem-se nisso...focalizem-se no que sentem diariamente durante um ou dois dias sempre que puderem...vão ver que se descobre muito sobre nós próprios...sem ter que ir para o Yoga...

E talvez assim comecemos a ver a adição Aristotélica a tomar forma e, fazendo-o, poderemos decidir de forma esclarecida quanto aos rumos gerais das nossas vidas...o que vos parece?.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Futuro- Para onde deslizamos?

Pois bem, honra seja feita ao ilustre PGM que aqui nos presenteou com uma visão bastante prática e esclarecedora sobre a sua posição cultural anti-grega e sobre as suas posições futuras a respeito de interacção com os média.
Apesar de não partilhar dos seus gostos e de, a partir deste momento, fazendo juz à fobia que se instalou na nossa sociedade, não aceitar encontrar-me com ele durante os próximos meses para evitar contágios de Gripe A, entendo na sua "conversa vadia" um bom sentido da intenção deste blog/projecto.
Para uns poderá ser enquadrado como uma construção prática e metódica...para outros, como uma mera conversa vadia...pois bem...não me oponho e considero bem vinda a proposta.
Façamos então conversas vadias, sempre com a intenção metódica, ou não, de partilharmos experiências, visões e ideias sobre a realidade e sobre o mundo...
Feito este parêntese, passo então ao tema.
Como vos disse na primeira entrada deste recomeço, pretendia debruçar-me sobre as três questões filosóficas ou três estados de percepção/manifestação do ser humano e da sua psique (ou alma).
Começarei por aquele que sempre me fascinou mais...o futuro.
Alterando a premissa base da pergunta que, no caso de "para onde vamos?" seria o "movimento", sugiro uma abordagem distinta..mais determinista...que se baseia numa ideia que anda muito na voga (ou pelo menos andou) da física quântica que afirma (de forma teórica, claro) que o futuro existe já e agora.
A alteração sugerida implica o abandono da noção linear de tempo algo, que, apesar de difícil, é possível para os nossos fantásticos cérebros de Homo Sapiens Sapiens...implica abstrair-nos da nossa percepção de tempo.
Existem teorias (para cuja enumeração peço o apoio posterior do amigo PGM muito mais versado nestas matérias do que eu, ou de um autor de seu conhecimento que procuramos cativar para este Blog) actuais da física que defendem, de forma muito laica, que o futuro é uma realidade que se está a processar já hoje. Neste momento. Numa "dimensão" distinta da nossa (ou numa "linha" que pode até ser paralela). Aliás, se bem lembro, esta seria um das interpretações da teoria da Relatividade de Einstein.
Esta "percepção" do futuro, aparentemente inovadora, permitir-nos-ia, munidos com os correctos meios tecnológicos, "avançar" no tempo, a partir do agora, dando saltos "dimensionais" (v. teorias sobre as possíveis aplicações de "worm holes" em viagens no tempo)e, em primeira linha, observar o passado e o futuro desde o "agora".
O autor e físico Arthur C. Clarke aborda este tema (mas sobre uma mera perspectiva de visão) em duas obras de referência com os nomes "Childhood's End" e "The light of other days" (escrita em colaboração com o autor Stephen Baxter).
Ora bem..se bem que nos é possível conceber esta visão "não linear" do tempo (futuro/passado/presente...agora!) quando apoiada em bases teóricas da ciência moderna, pergunto-me...e com base na tradição histórica cultural e religiosa?.
Passo a explicar...nas várias sociedades e culturas ocidentais persistem mitos sobre poderes mediúnicos...sobre profetas e profecias...existem e mantém-se na voga métodos divinatórios, baseados em ciências matemáticas como seja a Astrologia (causa de ser da intocável astronomia e astrofísica), e todos eles são remetidos à ignóbil prateleira de "mitos e superstições ignorantes".
Ora, se analisarmos friamente estes mitos e lendas e até métodos (os dignos de análise e não, como é óbvio, as previsões do Prof. Karimba), não estaremos perante um mesmo fenómeno que aquele defendido pela física quântica?
O que quero dizer com isto é apenas o seguinte, as ditas teorias pretendem vir a ser demonstradas mediante métodos tecnológicos que não estão ainda ao nosso alcance, no entanto, não estarão a ser demonstradas já através de mentes com um equilíbrio (ou desequilíbrio) específico? Não o terão sido ao longo da história da humanidade nos vários episódios proféticos? Não estarão subjacentes aos princípios da Astrologia “atalhos” proporcionados pela evolução intuitiva de milhões de mentes ao longo da história que permitem ao utilizador adequadamente treinado aceder a essas “dimensões” mediante cálculos matemáticos e conjugações de ângulos?
A mim parece-me que é um tema a abordar com um pouco mais de tempo e dados, que desde já vos convido a fornecerem (quem os tiver), embora admita que me vejo inclinado no sentido de que talvez haja mais de verdade nesses ditos mitos e lendas do que aquilo que se imagina.
Sabendo que, chegando a alguma conclusão, poderemos informar o PGM sobre as suas futuras probabilidades de ser um comentador mediático.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O padre traficante de armas

Convidaram-me, ontem, para escrever umas linhas num jornal sobre a análise, jurídica, do caso do “padre traficante de armas”. Foi o que me foi dito.
Pensei um pouco sobre o assunto e cheguei à conclusão, jurídica e deontologicamente correcta, de que não devemos fazer pré juízos sobre situações das quais não conhecemos todos os aspectos, e, sobretudo, porque vão ser apreciadas e esmiuçadas em sede própria, a sala de audiências de um tribunal, se o processo lá chegar.
Tendo decidido não comentar o assunto publicamente num jornal, regional é certo, não queria deixar de trocar umas ideias aqui no Teorema do George.
Hoje em dia, qualquer um que queira singrar em termos profissionais, seja em que profissão for, das duas uma: ou tem acesso à comunicação social, escreve umas merdas (tipo isto, mas dando um outro enquadramento e solenidade à coisa) e safa-se; ou não tem acesso, e quilha-se.
Vemos todos os dias na televisão que todos (quase) os advogados conhecidos o são porque comentavam casos nas televisões ou davam palpites sobre assuntos legislativos.
Os políticos que podem almejar chegar a presidentes de um partido (com essa honrosa excepção dos comunistas) são os que fazem comentário político nas TV’s.
Os médicos mais conhecidos ( e consequentemente com mais pacientes) são os que, por alguma razão, também são figuras conhecidas do grande público.
Etc., etc.
Antigamente “era-se alguém” quando se tinha brio e sucesso profissional, sendo-se reconhecido pelos pares e por todos aqueles que usufruíam do nosso trabalho.
Hoje “é-se alguém” se aparecer no Telejornal (ou no Jornal da Noite, ou naquela coisa da Manuela Moura Guedes) a mandar bocas sobre qualquer coisa, com tudo o que daí advém.
Da cultura do ser, passamos à cultura do parecer. O que já não é nada de novo, sempre existiu, em todo o lado, mas voltamos a ver um recrudescimento desta situação.
Aqui há uns tempos tive um caso que poderia ter-se tornado numa questão bastante conhecida, uma vez que o chegou a ser no Brasil. Tratava-se de um processo envolvendo uma menor, e no qual um cidadão brasileiro, residente no Brasil, tendo a guarda de uma menor, concedida pelas autoridades brasileiras, acusava uma cidadã brasileira, minha cliente, mas residente em Portugal, de ter raptado essa menor, filha de ambos, e que com ela está, actualmente, a viver em Portugal.
Sem entrar em pormenores, quer a minha cliente, quer eu próprio, fomos assolapados com milhentos de pedidos de entrevistas pelas televisões brasileiras, uma vez que o caso abria jornais nacionais no Brasil.
Nunca abrimos a boca para dizer fosse o que fosse.
Ganhamos o caso e a menor vive hoje em Portugal com a mãe, pese embora tenha tido uma ordem internacional de busca emitida pelas autoridades brasileiras.
Esta situação veio-me ontem repetidamente à cabeça enquanto pensava se havia de escrever alguma coisa sobre o coitado do padre, que tinha um arsenal em casa, porque se queria sentir seguro, ou, nas palavras do Bispo tutelar, era caçador e esta coisa da caça desde há centenas de anos que está enraizada no clero, sobretudo no clero que opera no interior do país.
E foi por isso, por me lembrar do que aquela mãe e aquela criança me disseram quando acabou o processo, que resolvi não comentar o caso do padre.
Acima de tudo, agradeceram-me por poderem continuar a ter uma vida normal sempre que saem à rua, e que a miúda vai para a escola.
Devo confessar que, para além disso, tive algum receio que pudesse encontrar o padre nalguma montaria, e não me fosse ele confundir com um javali...
Analisando a coisa, hoje, vejo que me quilhei.
Se tivesse agido de forma diferente, publicitando a minha vitória jurídica aos quatro ventos, se calhar já estava a ganhar tanto guito, que daqui a uns 10 aninhos reformava-me, comprava uma quinta no Alentejo, com produção vinícola própria, e escrevia uns livros.
Assim tenho que andar a bulir até às tantas todos os dias, para poder comprar os 100.000 brinquedos que a minha filha não tem e que quer (e quer todos).
Estava agora a ouvir um velhinho tema de um grupo americano, que ainda existe, mas que ficou conhecidos nos idos anos 80, os Pixies (percursores de quase todos os grupos conhecidos, surgidos no início dos anos 90, tipo Nirvana, Pearl Jam e muitos outros) e tendo como título “Where is my mind?”.
E, de facto, “where was my mind”, quando me armei em bom samaritano para as filhas das minhas clientes poderem agradecer-me, ou para o padre traficante de armas não ver mais um comentário eventualmente desabonatório em termos jurídicos aos actos que, supostamente, praticou?
Não sei onde estava, mas não devia estar no sítio certo.
A partir de hoje, e tendo como base a premissa essencial do Teorema de George “pensar e fazer fora daquilo que normalmente pensaria ou faria”, decidi que, logo que tenha possibilidade, vão ver a minha linda cara chapada nos jornais e nas televisões.
E, se puder, vou à caça com o padre...
PGM

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Não gosto de gregos!
Não sendo fã de futebol, reconheço que gosto muito menos deles a partir daquele dia em que, na sala da minha casa, reuni alguns bons amigos para bebemos uma "champanhota" após essa esperada, e não verificada, vitória da selecção nacional de futebol sobre os gregos.
Daí que me chateia a nossa latina propensão para filosofar e filosofar com base nas construções teóricas criadas por esses gregos há mais de 2000 anos.
Pelo que, em desfavor do autor deste blog, não vou, nem pretendo, criar ou contribuir para a construção de um teorema.
Os gregos que o façam.
Sinto-me mais atraído para termos umas conversas vadias, como as que tinha o nosso Agostinho da Silva, direccionadas para o que é isto de ser um ser humano, para analisarmos as merdas que nos acontecem no dia a dia, e tentar tiral delas algum tipo de ensinamento. Até, eventualmente, para as analisarmos de vários pontos de vista.
Exemplo:
Vou a descer a rua, em direcção ao tribunal (tal como o autor do blog, também sou Advogado, pelo que parte da minha existência terá subjacente esta realidade) e sou alertado por uma garbosa menina, de peito muito firme, e tudo o resto no sítio, que tenho o braguilha das calças aberta.
Agradeço a atenção, e entrego-lhe um cartão profissional, esperando arranjar ali uma boa cliente, ou uma cliente boa, conforme a apreciação que façam da situação.
Uns dias depois, enquanto me encontro no escritório a escrever para blogs, recebo um telefonema da mesma menina a pedir uma reunião, porque se pretende divorciar do marido, um malandro qualquer que lhe batia e era frequentador assiduo do Parque Eduardo VII, e como existem bens a partilhar, necessita da intervenção de um profissional do foro.
Recebo a menina no escritório, e no meio da conversa, a dita espirra-me para cima e pega-me gripe A.
Desta situação, que à partida parece completamente fortuíta, podemos construir uma série de ensinamentos, levantar muitas mais questões e construir os tais teoremas, que não gosto por serem gregos, de consciência e de actuação.
Porque é que naquele dia e hora eu tinha a braguilha desapertada?
Porque é que a jovem olhou para lá?
Se eu tivesse pura e simplesmente agradecido à jovem e ido embora, teria apanhado a gripe A?
Etc.
Etc.
Etc.
Com este exemplo estapafurdio, e trazendo à colacção a gripe A., uma vez que toda a gente fala no diabo da gripe por uma qualquer razão, quero dizer o seguinte: tudo aquilo que fazemos, que pensamos, que nos acontece, pode ser interpretado, analisado, esmiuçado, a partir de uma enormidade de diferentes pontos de vista e critérios de análise.
Entreguei o cartão à menina porque sou um bandido igual ao marido dela, e esperava algum tipo de recompensa sexual...
Entreguei o cartão à menina porque era apenas uma potencial cliente...
Entreguei o cartão à menina porque naquele momento concreto não me lembrei de mais nada para fazer se não isso...
Entreguei o cartão à menina porque estava predestinado a fazê-lo e a ela ir ao meu escritório uns dias depois para me pegar a gripe (Deus castiga)...
Entreguei o cartão à menina porque naquele momento concreto todos os átomos que constituem o meu corpo e eventualmente dão forma aos meus pensamentos, se orientaram naquele sentido e não noutro, fundamentando o velho principio científico da incerteza...
Etc.
Etc.
Etc.
Tal qual como podemos reflectir sobre uma parvoice como esta, podemos fazê-lo sobre uma multiplicidade de outras situações, problemas, dogmas, pensamentos, actuações, contribuindo cada um de nós com o nosso ponto de vista e com a nossa reflexão sobre o assunto.
E, talvés, dessa multiplicidade de pensamentos e opiniões, seja possível construir algo, quanto mais não seja a aprendermos a aceitar outros pontos de vista, fundamentados ou não.
Não é construir teoremas, porque esses foram inventados pelos gregos e eu não gosto deles.
PGM

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Método


Peço desculpa pela desorganização de algumas das mensagens, e enquanto escrevia um E-mail a convidar um autor para este Blog, apercebi-me que se calhar deveria ter clarificado um pouco mais o método que pretendo usar na construção do mesmo.

O método prende-se com o nome do "Blog" e baseia-se no seguinte: a ideia é construir Teoremas de consciência e Teoremas de actuação. Uma vez que Teorias, infelizmente (ou felizmente) já existem muitas.

Para melhor entender o fim descrito, achei por bem procurar a definição de Teorema na "Wickipédia" e eis o resultado...efectivamente aquilo que se pretende, quer nos comentários, quer nos artigos sugeridos para este "Blog"...

"Teorema é um termo introduzido por Euclides, em Elementos, para significar "afirmação que pode ser provada". Em grego, originalmente significava "espectáculo" ou "festa". Actualmente, é mais comum deixar o termo "teorema" para apenas certas afirmações que podem ser provadas e de grande "importância matemática"" (in http://pt.wikipedia.org/wiki/Teorema)

Excluindo a questão matemática, que obviamente não é intenção, apesar de ser bem vinda qualquer abordagem matemática a estes temas, creio ser clara a definição de Teorema.

Quanto ao método, agradeço também ao contributo da "Wikipédia" que, uma vez mais, facilitou-me a vida, contribuindo, na mesma página, com uma definição dos métodos utilizados na construção de teoremas, cuja leitura sugiro a leitores mais disciplinados (http://pt.wikipedia.org/wiki/Teorema).

Essa definição dos método é meramente referencial e visa apenas servir de guia, uma vez que eu também (e como podem ver) não sou muito direccionado a métodos, pelo que a ausência de cariz prático/ciêntifico não invalidará as sugestões e/ou ideias que se sugiram.
Assim, definido um meio e um método, avancemos então para as construções.

Wicca


Embora não seja este o intuito deste Blog, parece-me interessante divulgar alguns dos ramos espirituais que possam ser de utilidade á sua ideia, por isso, e face a alguma inevstigação (pouca admito) deparei-me com este Blog que me parece bastante interessante e sério a respeito de "Wicca", ou feitiçaria pagã.

A razão de ser de aqui surgir prende-se com o ideal que me leva a escrever...a proucura de novas formas de consciência e de novos (ou antigos) recursos para atingir os objectivos traçados...o "wicca", no espírito deste Blog que visa tratar sobre questões do espírito, deve ser encarado como um recurso e não como um fim. Ou seja, acolhemos, respeitamos e convidamos todos os credos, crenças e práticas, mas não é nossa intenção cingirmo-nos a nenhuma. Procuramos respostas e pretendemos recorrer a todos os meios que possam contribuir para essas mesmas respostas.

"Wicca" como uma arte antiga que é, inspirada por tradições, ritos e filosofias ancestrais mereceu a primeira entrada, o que, espero eu, não represente ser a única entrada.
Como tradição, o fim do "Wicca" é desenvolver em todos nós as capacidades inatas da nossa mente/espírito e da nossa percepção do mundo espiritual (pelo menos parece-me a mim, do que lí e do pouco que sei sobre este tema).

Como referência fica que tratarei, durante os próximos tempos, de investigar um pouco mais sobre esta tradição e ser um pouco mais claro sobre as virtudes que a mesma pode trazer para os objectivos do Teorema.

Entretanto, aqui fica, para referência, o Blog "Wicca Portugal": http://www.blogcatalog.com/blog/wicca-portugal

Até breve.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Teorema, Maçonaria, a Ciência Noetica e o Profano em todos nós

Após uma longa ausência, não notada por ninguém, decidí hoje recomeçar este blog sob uma nova perspectiva...o Profano e a experiência do poder que existe em todos nós.
Há anos que proucuro acreditar em algo superior...numa entidade Criadora...num ser intangível ou invisivel que criou a ordem e o caos da nossa existência. Bem...sendo mais egocêntrico, vamos dizer antes a MINHA existência. Deambulei por livros e filosofias, não necessariamente em busca desse Absoluto, mas vejo que sempre foi uma pergunta que viveu dentro de mim...e que vejo espelhada na realidade humana e da história.
Todos os seres humanos, desde que ganharam consciência do mundo, procuram responder às mesmas questões...que se reproduzem na realidade diária e na realidade filosófica da história e das mil e uma seitas e religiões que dominam e dominaram o mundo...as questões eternas da humanidade que normalmente se resumem a "quem sou?...de onde venho?...para onde vou?".
Estas três perguntas simbolizam de forma brilhante os três estados da mente diária humana...o presente, o passado e o futuro.
As implicações práticas destes estados estão espelhadas na nossa comunicação (tempos verbais), na nossa visão de nós mesmos (diariamente confrontamo-nos com as situações do dia, com as memórias do passado recente e mais profundo e com visões e desejos sobre o futuro imediato e, por vezes, mais distante).
Sem me alongar, diria que estes estados estão enraizados na nossa percepção da realidade...uma percepção temporal linear.
A filosfia e as suas descendentes (ciências) procuram as mesmas respostas que todos nós procuramos diariamente e caracteríza-se por teses racionais que procuram responder-lhes, seja pela via da experiência, seja pela via teórica, o objectivo está lá e a diferença é, bem vistas as coisas, de método.
Por sua vez, a religião, procura dar essas respostas...através de dogmas e rituais estabelecidos...não procura...justifica! Uma vez mais, varia apenas no método...da razão passa para a fé!.
Algumas redes e "escolas" como sejam a maçonaria (refiro-me a ela não como um conhecedor profundo ou sequer superficial) parece-me procurar estas respostas através de um misto de ambos os métodos...valorizando o poder implicito dos dogmas e rituais (no que é comum a todos...a existência de um ser e/ou conhecimento superior, não enquadrado em religiões), procura responder através da razão que emana deles, apoiando-se na ciência e a ela se dedicando.
A ciência Noetica...através da análise ciêntifica e experimental, procura desenvolver a percepção e consciência do Ser Humano...por forma, também, a responder a estas perguntas, e ir um pouco mais além desenvolvendo a mente do ser humano ao seu potencial total.
Qualquer um dos caminhos mencionados, na minha opinião, leva a uma entidade superior...ao Conhecimento Superior...à resposta a estas perguntas...assim como a mera experiência do dia-à-dia nos pode encaminhar nesse sentido...todos os caminhos, em principio, nos levam a entender melhor esses três estados e a responder, diariamente, a essas três perguntas...mas não respondem às perguntas..apenas nos aproximam da resposta.
E eu gostava de saber a resposta...como muitos nós...como, aliás, TODOS nós.
Esta é a viagem que agora me proponho e que partilho com quem queira acompanhar e contribuir para este Blog..será que tem resposta? Eu acho que sim...alterando as permissas das perguntas...
Cá vos aguardo e aqui estarei a filosofar...ou talvez não?
NR

quarta-feira, 18 de março de 2009

A Classe Média


Hoje estive a fazer contas e a consolidar financiamentos...e subitamente apercebi-me de uma verdade pessoal...nunca me tinha encarado como alguém sem recursos económicos, e, a pesar de não ter uma vida folgada nesse departamento, sempre me conseguí sentir bem e o dinheiro sempre me deu para o essencial e algo mais.

De há uns tempos para cá tenho andado a sentir uma constante pressão inconsciente quando uso o multibanco, e, estupidamente, atribui essa tensão ao pánico instalado na nossa sociedade e no mundo...ao grito constante dos jornais sobre a crise financeira...até hoje...hoje fiz contas...e hoje descobrí que sou pobre...e por pobre refiro-me a uma nova forma de pobreza que surgiu nos últimos 20 anos e não considerada nas estatísticas...a pobreza de quem tem recursos.

Ora, de que pobreza se trata? Trata-se da pobreza de quem tem rendimentos fixos e que chega ao fim do mês sem poupança e sem lucro...como?...simples

Feitas as contas apercebo-me que todos os meses vivo no limíte da minha capacidade económica, o que não seria de lamentar caso me dedicasse a esbanjar o meu dinheiro em futilidades e em produtos 100% consumistas...algo que almejo com todas as forças (admito!!) mas que não consigo.

Tudo o que ganho é gasto em bens essenciais, ou essenciais para a nossa sociedade e para o nosso rítmo de vida: casa (só juros, uma vez que deixei de fazer abatimentos à 2 anos), água, luz, gás, escola do meu filho, telefone (uma ferramenta de trabalho para mim que sou advogado), gasolina e comida...e com luxo dos luxos...tabaco, almoços em família (1 vez por semana) e muito ocasionalmente um livro e/ou cinema.

Como podem ver...eis a minha riqueza...eis a minha vida de luxos e extravagâncias...e que me leva a chegar ao fim do mês com...nada!!

Admito que chamar a isto pobreza é deveras exagerado...mas de que patamar socio-económico é que estamos a falar?...onde me poderei enquadrar eu...e quanto mais penso menos definições encontro...e apercebo-me que como eu devem haver muitos...aqueles nobres marginais que, como eu, fogem às estatísticas governamentais e não constam para efeitos de direitos sociais.

Como eu deve ser mais de metade da população deste pais, a mesma mais de metade que elege governantes e os sustenta, para depois não se ver representada na governação, mais dirigida aos desfavorecidos e aos investidores...mais de metade devemos ser, mas entre todos não conseguimos encontrar um representante, enquanto as minorias detém cerca de 90% da Assembleia da Republica e 100% do Governo.

Pois bem, meus caros companheiros de situação...urge, como nunca começarmos à proucura...começar a olhar para quem nos governa e para os nossos vizinhos de condição, e aperceber-mo-nos que não se tratam das mesmas pessoas.

Eu estou disponível para procurar...e vocês?...cá vos espero com propostas.



quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Aristóteles


"Ajusta os teus desejos aos teus meios presentes, aumenta-os apenas quando os teus meios assim o permitirem"- Aristóteles

Nesta frase está um conteúdo contrário à nossa natureza enquanto seres humanos, desejar apenas aquilo que se encontra dentro das nossas possibilidades de realização? Onde é que já se viu?.

Entendo que com esta frase o mestre filósofo apenas visava transmitir um conselho sábio cujo fim se materializava no afastamento da angústia que o desejo pelo irrealizável inevitavelmente se transforma. Como tal, é um conselho sábio e a seguir, no entanto....sejamos práticos! Eu pessoalmente não controlo os meus desejos...e vocês?

Assim, parece-me uma vez mais, um bom exemplo de um bom conselho a não seguir, sob pena de nos considerarmos inferiores a quem o deu.

Eu pessoalmente não me considero inferior a ninguém, nem considero que as minhas fraquezas me façam inferior, pois nada há de inferior na minha humanidade.

Assim, eis o que todos devemos fazer..."desejemos para além dos nossos meios presentes!!!!".

Não tento com esta ideia advogar a insatisfação e a tristeza como forma de vida, nem defender que devemos sucumbir a todos os desejos e tenatações, pois se os conseguirmos realizar, meus senhores, não estaremos a seguir o príncipio que estipulei, pois estaremos a desejar dentro dos meios presentes e que se encontram à nossa mão.

Entendo assim que desejar para além dos meios presentes é o príncipio de um outro conceito muito mal visto na nossa sociedade ...a ambição!!

Estranho que a ambição, apesar de mal vista, é um conceito que se expandiu e é respeitado, todos tendo um certo temor reverêncial pelos individuos que a demonstram...
Por quê?

Porque me parece que todos nós reconhecemos a virtude desse sentimento, que se baseia nada mais nada menos, que desejar para além dos meios presentes do individuo.

Deixemo-nos de falsas modéstias e de conceitos arraigados a uma moral ultrapassada onde o desejo é visto como algo feio e a evitar...o desejo é o início do pensamento...o desejo é o início da humanidade!!

O que nos faz cada vez mais desumanos é o facto de termos deixado de desejar para além dos nossos meios presentes e, desta forma, termos perdido a chama que faz de nós seres únicos na natureza.

Se o Homem não tivesse desejado para além dos seus meios presentes, não teria nunca desenvolvido a agricultura, a ciência, as artes...em suma a cultura.

Desejemos então, desenfreadamente! E depois...façamos por concretizar esses mesmos desejos!


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A premissa


O ano de 2009 prevê-se negro como a noite, escuro como o breu, mais mil e uma metaforas de escuridão, para o panorama económico e político que se estende perante nós neste ano que ficará (dizem..) na nossa memória.
Acho que nunca um ano foi tão mal recebido e tão mal vindo pela sociedade como este, com excepção talvez do ano 2000 (o famoso ano do "bug" e do fim do mundo).
Tal deve-se, reza a comunicação social e todos os entendidos nestes temas (entre os quais NÃO me incluo), ao "crash" provocado pelas operações "subprime" nos Estados Unidos e ao efeito que este "crash" teve nos outros mercados financeiros mundiais. Este "crash" e insolvências dele decorrentes levaram a uma maior desestabilização da economia mundial e ao efeito dominó de insolvências e ressessões nacionais pelo mundo fora.
Esta "tragédia", como é obvio, ainda está no início, e daí o medo que se sente nas ruas entre as pessoas que passeiam surumbáticas, medo de despedimentos, de reducções salariais, receio pelo futuro das famílias...
Assim, difícil será aplicar o Teorema de George para obter resultados satisfatórios para a população, ou não?
Contrariamente às expectativas dos cidadãos que os elegeram, os principais governos mundiais (entre os quais o nosso) adoptaram pacotes de medidas que comprovam que eles já são adeptos do Teorema de George e que este Teorema está já embutido no inconsciente colectivo dos nossos governantes...APOIO FINANCEIRO AOS BANCOS E INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS...principais causadores da crise "subprime"...
Para todos nós que neles votámos, apenas ficaram (no caso de Portugal) as palavras amigas do Governo e do Primeiro Ministro, a afirmar veemente que as medidas são necessárias e que a crise não existe...contrariamente à nossa sensação enquanto pessoas, trabalhadores, empresarios que calmamente deambulamos por um panorama sem crise e de nítida evolução e crescimento económico sem dinheiro nos bolsos.
Uma vez mais Teorema de George em acção...

A viagem inaugural


Caros leitores (caso venham a existir),
Começa hoje a minha viagem pública a que decidí dedicar o blog "Teorema de George", um blog provavelmente igual a muitos outros, mas que tem uma função essencial para mim e espero que para vocês, e que se pode resumir ao seguinte: "experimentar novas formas de pensar e de agir que sejam diametralmente opostas áquilo que normalmente pensamos ou fazemos".
Assim, convido-vos a partilhar desta minha viagem e deste meu desafio...VAMOS FAZER O CONTRÁRIO do que esperamos e do que esperam de nós...e partilhar os resultados dessas experiências neste "Blog" que visa ser uma séria experiência de FALTA DE SERIEDADE.
Como aviso fica que a intenção é uma experiência séria e lógica (ou talvez altamente ilógica, dependendo da vossa predisposição natural), pelo que, de início, farei uma tentativa de filtrar os comentários que fizerem às minhas mensagens ou "posts", mas espero que, com o desenrolar da vida natural deste "blog" isso deixe de ser necessário.
Assim, convido-vos a debruçarem-se sobre os temas que entenderem.
Obrigado e boa viagem.