quarta-feira, 18 de março de 2009

A Classe Média


Hoje estive a fazer contas e a consolidar financiamentos...e subitamente apercebi-me de uma verdade pessoal...nunca me tinha encarado como alguém sem recursos económicos, e, a pesar de não ter uma vida folgada nesse departamento, sempre me conseguí sentir bem e o dinheiro sempre me deu para o essencial e algo mais.

De há uns tempos para cá tenho andado a sentir uma constante pressão inconsciente quando uso o multibanco, e, estupidamente, atribui essa tensão ao pánico instalado na nossa sociedade e no mundo...ao grito constante dos jornais sobre a crise financeira...até hoje...hoje fiz contas...e hoje descobrí que sou pobre...e por pobre refiro-me a uma nova forma de pobreza que surgiu nos últimos 20 anos e não considerada nas estatísticas...a pobreza de quem tem recursos.

Ora, de que pobreza se trata? Trata-se da pobreza de quem tem rendimentos fixos e que chega ao fim do mês sem poupança e sem lucro...como?...simples

Feitas as contas apercebo-me que todos os meses vivo no limíte da minha capacidade económica, o que não seria de lamentar caso me dedicasse a esbanjar o meu dinheiro em futilidades e em produtos 100% consumistas...algo que almejo com todas as forças (admito!!) mas que não consigo.

Tudo o que ganho é gasto em bens essenciais, ou essenciais para a nossa sociedade e para o nosso rítmo de vida: casa (só juros, uma vez que deixei de fazer abatimentos à 2 anos), água, luz, gás, escola do meu filho, telefone (uma ferramenta de trabalho para mim que sou advogado), gasolina e comida...e com luxo dos luxos...tabaco, almoços em família (1 vez por semana) e muito ocasionalmente um livro e/ou cinema.

Como podem ver...eis a minha riqueza...eis a minha vida de luxos e extravagâncias...e que me leva a chegar ao fim do mês com...nada!!

Admito que chamar a isto pobreza é deveras exagerado...mas de que patamar socio-económico é que estamos a falar?...onde me poderei enquadrar eu...e quanto mais penso menos definições encontro...e apercebo-me que como eu devem haver muitos...aqueles nobres marginais que, como eu, fogem às estatísticas governamentais e não constam para efeitos de direitos sociais.

Como eu deve ser mais de metade da população deste pais, a mesma mais de metade que elege governantes e os sustenta, para depois não se ver representada na governação, mais dirigida aos desfavorecidos e aos investidores...mais de metade devemos ser, mas entre todos não conseguimos encontrar um representante, enquanto as minorias detém cerca de 90% da Assembleia da Republica e 100% do Governo.

Pois bem, meus caros companheiros de situação...urge, como nunca começarmos à proucura...começar a olhar para quem nos governa e para os nossos vizinhos de condição, e aperceber-mo-nos que não se tratam das mesmas pessoas.

Eu estou disponível para procurar...e vocês?...cá vos espero com propostas.