quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Focalização e subrotinas

Depois de uma longa pausa, em parte a aguardar textos prometidos que infelizmente ainda não foram escritos e em parte por descuido de organização que não me permitiu retomar ainda o meu Blog...até hoje...assim, aqui volto eu.

Antes de mais, gostaria de honrar os "seguidores" que adicionaram este Blog às suas preferências com um agradecimento muito especial, e aproveitar para os convidar a comentar os textos/ideias e teoremas que aqui encontrarem, dado que a intenção não é transformá-lo numa teoria e sim num Blog dinâmico de construção.

Feita esta ressalva, passo a expor o tema que me incentivou a retomar a escrita, nesta Terça-feira pós-natalícia e pré-ano novo.

O tema prende-se com uma experiência que andei a fazer no último ano, e que, em parte, já estava em acção quando escrevi a última entrada.

Trata-se de uma experiência de "focalização mental".

Dito desta forma parece algo profundamente esotérico com toques de espiritualismo oriental...que aviso desde já...NÃO É.

Desde há muitos anos que o meu semi-consciente sempre associou à imagem de sucesso a ideia de uma pessoa (neste caso na minha profissão de Advogado, é quase sempre assim) andar a "viajar para o estrangeiro em negócios"...é estúpido e infantil...sucesso e viagens em negócios (se bem que uma coisa pouco ou nada tenha a ver com a outra).

Eis um objectivo, pensei eu, inócuo e sem grandes efeitos secundários previsíveis...suficientemente vago para experiência e suficientemente objectivo para tentar concentrar parte do meu pensamento diário na questão.

O primeiro entrave que encontrei foi o seguinte..."como vou eu viajar em negócios, se não tenho clientes no estrangeiro e/ou com questões no estrangeiro?".

E este entrave ficou ainda mais interessante quando apresentando a questão a um amigo meu, a título de loucura pessoal, o mesmo me respondeu, em 1.º lugar que era um objectivo um pouco louco porque já era difícil captar clientes cá, quanto mais lá fora, e mencionou, pasme-se uma premissa muito interessante...que foi..."se bem que não era má ideia mandares currículos para Espanha dado que estiveste 14 anos no Instituto Espanhol de Lisboa".

E fez-se um pouco de luz...Espanha...suficientemente perto para tentar a minha sorte, se bem que não tenha interesse em ir para lá viver, dado que tenho a minha vida estabelecida por cá!.

No dia seguinte, num arrebato decidi escrever/abrir uma discussão/anúncio no "Linked In" a respeito de Cobranças em Portugal...onde, em castelhano e inglês explicava os processos mediante os quais s poderia proceder à cobrança de crédito mal parado em Portugal, disponibilizando-me para esclarecimentos adicionais.

Na mesma semana entrei em contacto com amigo meu (advogado inglês a exercer em Paris) e mencionei-lhe a minha disponibilidade para esclarecer eventuais clientes dele na mesma área.

Dediquei cerca de 20 minutos diários a verificar os grupos de discussão e respectivos temas à procura de dúvidas sobre o nosso sistema legal e afins.

Entrei em contacto com amigos no estrangeiro para saber deles e como estavam.

Tudo isto se passou de Janeiro a Fevereiro deste ano.

Em Março começo a trocar correspondência com empresários brasileiros (com quem estou, de momento, a acordar fazer uma sessão de conferências sobre "como investir em Portugal" no Brasil).

Em Maio, surge uma oportunidade fabulosa de ir a Israel substituir uma pessoa numa conferência (onde passei 4 dias com despesas de alojamento e viagem paga).

Em Setembro sou convidado pelo meu amigo inglês a ir assistir a uma conferência em Praga.

Em Outubro tive um Julgamento na Madeira.

Finalmente, em Dezembro tenho que ir a Barcelona e Madrid negociar com dois novos clientes...

Ora...sorte?...milagre?...nem por isso...

Eis a conclusão que retirei desta experiência...

É um facto comum na nossa cultura "rezar para que algo aconteça", pelo menos é uma frase bastante comum, que manifesta uma tradição associada ao conceito de (na minha opinião) "focalização".

Quando alguém efectivamente reza, está a refugiar-se em "tantras" pré-estabelecidos que visam a concentração numa ideia...a causa da reza.

Se está a rezar por algo, o crente focaliza a ideia/objectivo que tem em mente, e usa a oração como veículo e/ou sistema de concentração, dado que está a utilizar um sistema pré estabelecido de frases e conteúdos que visam apenas afastar a sua mente de outros pensamentos que não sejam o "objectivo"...um pouco como os "tantras" budistas que levam a que os monges se focalizem no som por forma a evitar pensar em nada mais que aquele som.

Quando o crente reza pelo mero acto de acompanhar os rituais diários, está a fazer um processo de "pausa" no seu pensamento diário, com eventuais benefícios terapêuticos, que em nada, na minha opinião, o prejudicam.

Ou seja, os métodos estão à vista e são utilizados à séculos, até pela nossa cultura.

Não só na nossa, como em quase todas as culturas mundiais, existem rituais colectivos e individuais que visam a concentração dos indivíduos em objectivos definidos e/ou o fortalecimento da sensação de união com o colectivo (para não referir algo sobre o qual não tenho intenção de me debruçar que é a efectiva adoração de Deus e/ou entidades superiores)

O resultado obvio deste e/ou outros sistemas de focalização (como seja a "visualização" do resultado utilizada no desporto profissional) é que imediatamente a pessoa concentra o seu pensamento e a sua percepção da realidade nesse assunto/objectivo, criando o que num computador seria uma subrotina.

Ao fazê-lo, o seu inconsciente estará a "trabalhar" em sintonia com o consciente, facilitando a percepção e identificação de oportunidades que possam levar à obtenção do resultado, que, não fosse essa "subrotina" passariam desapercebidas no meio de conversas, de leituras, de noticias...em geral na azáfama do dia-a-dia.

A criação da "subrotina", por pequena que seja, gera um acréscimo de possibilidades que deriva da nossa atenção e actuação a respeito de detalhes e situações que de outra forma passariam desapercebidas.

Esta "focalização" derivada da "subrotina", como poderão imaginar é fácil de alcançar e não exige um esforço muito maior do que pensar num "desejo" e explorar durante um tempo os passos hipotéticos que seriam necessários para o obter...ou então, para quem tenha o dom da fé...rezar pela sua concretização...mal não vai fazer.

Algo tão simples como respirar, parece-me a mim...

No entanto, não esquecer que apesar de ter corrido bem, a experiência em sí não tem resultados garantidos… e como o meu objectivo foi viajar…isso é o que tenho feito, em negócios sim, mas ainda não tive outro retorno que não fosse a mera viagem…para dinheiro suponho que a subrotina tenha que ser diferente…

Assim, e com esta interpretação simplista encerro o meu pensamento de 2009 e desejo-vos um fantástico 2010...

PS- Para a semana, se precisarem de alguma coisa de Madrid...digam-me...vou para lá na 5.ª Feira...em negócios!