segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Demónios (Parte 2)

Hoje fui confrontado com uma crítica bem intensa ao meu último "post", onde me diziam que do mesmo apenas se aproveitava a definição de "demónios" da Wikkipedia, e que, após uma re-leitura atenta, me vejo obrigado a concordar.

O referido "post" está efectivamente "endemoniado"...carregado de ideias dispersas e não estruturadas que admito poderão não fazer sentido nenhum para ninguém que não o seu autor...e assim sendo, peço-vos a todos desculpas pelo mesmo.

No entanto, e dado que o tema da definição de "demónio" me fascinou durante as últimas semanas, gostava de me manter no mesmo e partilhar convosco alguns pensamentos.

Peço-vos que vão ver a definição da Wikkipedia que publiquei no último "post" (e para a qual remeto agora) "Demónio" in Wikkipedia...abstraiam-se do "post"...e focalizem-se na definição clássica de "demónio".

Não vos parece surpreendente, que originalmente a palavra demónio, quando criada pelos gregos, significava a voz interior, ou o Deus que vive dentro de nós e nos aconselha?

Mais se pensarem então que a Bíblia, como a conhecemos, no seu Velho e Novo Testamento (e em especial no Novo), nasce no período em que esta palavra detinha o seu sentido original...e em que o Grego era uma língua universal (um pouco como o é o inglês hoje em dia).

E que conclusões se poderiam tirar destes dois enunciados?

Mil e uma...no entanto, e correndo o sério risco de parecer um herege (sem no entanto pretender de qualquer forma ou feitio pôr em causa as interpretações sacras das Sagradas Escrituras), eis as dúvidas/pensamentos que esta ideia me suscitou.

Aviso, antes de passar a expô-la, que não sou um letrado da Igreja, e apesar de católico por educação, já não pratico há anos e o meu conhecimento do Velho e Novo Testamento resume-se ao pouco que aprendi e me recordo sobre ambos na catequese (o que NÃO FAZ DE MIM UM ESPECIALISTA...e sim um pseudo-filósofo curioso por conceitos e ideias).

Feita a advertência (típica da minha faceta de Advogado), passo a expor a ideia.

E se o Demónio das Sagradas Escrituras fosse uma segunda manifestação de Deus?...

Explicando-me melhor (para não ferir susceptibilidades)...quando estou a fazer esta pergunta não me estou a referir a nenhum ser demoníaco com asas de morcego e encarnação do mal...estou-me a referir ao conceito de demónio grego...

Ora bem...se para os gregos Demónio representava "a voz interior, ou o Deus que vive dentro de nós e nos aconselha" e uma das primeiras formas de expansão do cristianismo foi em Grego (Evangelho de S. Lucas)...seria normal de pressupor que, quando indagados a respeito de Deus e dos seus sinais a povos e culturas que não falassem hebreu, os apóstolos se referissem a Deus como um "daemon" e não como um deus (para o distinguir da palavra que poderia levar à confusão com uma das múltiplas divindades adoradas pelas culturas politeístas ocidentais).

Aliás, esta perspectiva "intimista" de Deus é uma das características originais do cristianismo, onde se abandona a visão judaica de Deus castigador para adoptar uma visão mais humana de Deus (encarnado no Filho- Cristo- e Pai).

As cosnequencias linguísticas desta confusão podem ser, na minha opinião, bombásticas.

Ora vejamos...se o demónio é uma voz de Deus, então as referencias culturais ao mesmo (influenciadas pelos ensinamentos bíblicos) poderão ser postos em causa...uma vez que se Deus é bondade e amor...a sua voz dentro de nós (o Demónio- Daemon) poderá ser assim tão diferente?

E se aquilo que entendemos por maldade e pecado não forem mais que uma manifestação do Divino em nós...ou seja...a parte de Deus que nos permite optar pelo incorrecto...que nos permite escolher e logo errar?

Se assim for, então o Demónio seria mais uma manifestação de Deus...mais um dos seus dons...o dom da liberdade para fazer escolhas, que nem sempre serão as certas...de ver para além das "ordens" sagradas...para "imaginar" um outro percurso que não aquele que Deus pretende para nós?

E vindo o demónio de Deus (algo que nos ensinam desde pequenos- a história do Anjo Caído...aquele que pôs em causa a Ordem de Deus)...sendo o Demónio mais um dos Seus mistérios...será ele uma encarnação do mal?

Eu penso que não...e apesar de não ser religioso, sou crente...e creio num Deus bondoso...num Deus Pai...ou pelo menos numa entidade universal que tudo Ordena...numa ordem e harmonia universal que não tem espaço para conceitos tão subjectivos como o bem e o mal, certo ou errado...e sim para conceitos como caminhos.

A capacidade de ver um caminho onde a estrada não está marcada enquanto tal...a capacidade de imaginar muito para além da realidade que nos é fornecida pelos nossos sentidos...a capacidade de antever outras actuações para além daquelas que nos são impostas pela sociedade e religiões...a capacidade, no fundo, de criar...essa é parte da chama do divino que arde me nós...e como tal, fruto do "daemon" de que falavam os gregos, no sentido de Deus dentro de nós.

No entanto, essa manifestação do divino (esse dom) por vezes manifesta-se também como algo demoníaco (aqui sim no sentido actual), como uma maldição que nos leva às escolhas incorrectas e incertas...aos erros, pecados e maldades, algo que gostamos de ver como humano, por ser imperfeito...embora, sejamos honestos, a perfeição é também um atributo divino que nos é facultado pela Fé ou pela Imaginação e não pela nossa experiência...pelo que é também ela (a perfeição) fruto dessa voz que nos leva a ver algo que não existe na nossa realidade terrena...e como tal...fruto do nosso "daemon".

Numa análise extrema poderíamos dizer que o nosso contacto com Deus nasce desse "daemon" no sentido grego...que Deus fala connosco através desse mesmo "daemon"..."daemon" que por virtude da semântica e evolução linguística se transformou no seu oposto...no Demónio...

E face a tudo isto eis que o meu "post" anterior se transformou num chorrilho de asneiras...ou então ganhou perspectiva...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Demónios

Na última semana deparei-me com o meu demónio interior...e eis o que descobri a esse respeito:

"Um demónio (português europeu) ou demónio (português brasileiro), ou ainda, daimon ou daemon é originalmente um tipo de ser que em muito se distanciou, mesmo que ainda se assemelhe, aos génios da mitologia árabe, pois ao longo dos anos a sua descrição mudou, e segundo a maior parte das religiões, que dividem-se no mundo de forma maniqueísta, como judaico-cristão, é um ser intermediário entre o homem e Deus, tipicamente descrita como um espírito do Mal, embora originalmente a palavra demónio, criada pelos gregos, signifique a voz interior, ou o deus que vive dentro de nós e nos aconselha (in wikipedia: Wikipedia: Demónio)"

Dada a minha obsessão com a filosofia dita clássica, é óbvio que foi esta definição sublinhada que mais apelou à minha atenção.

Mas vamos por partes...falava-vos do meu demónio e não das definições de demónio...

O meu demónio (eu) é bastante comum...e foi apelidado pela minha religião (católica) de sentido moral e ético.

Trata-se de uma pequena voz que define as "regras" pelas quais devo conduzir a minha vida pessoal e a minha vida social...um "Grilo Falante" chamado consciência do qual dependo diariamente para me guiar pelo tortuoso mundo das decisões pessoais e profissionais.

Todos nós conhecemos esta "voz"...e em maior ou menor medida deixamo-nos guiar por ela confiando, mais ou menos, no que ela nos diz ou nos pede para fazer.

O problema surge quando subitamente vemos que os "conselhos" que esta "voz" nos dá não nos traz qualquer gratificação pessoal, moral ou profissional...nesse momento, deparamo-nos com o nosso "demónio", e o pior é que nesse momento normalmente apercebemo-nos como ele realmente é...igual a nós...cheio de falhas e incertezas...inseguranças e incoerências...e neste momento é quando procuramos Deus...a Voz sobre todas as outras...a perfeição da decisão.

A forma como o procuramos e encontramos varia de religião para religião ou de crença para crença...mas em alguma medida, pelo menos a procura, é comum a todos nós.

O meu revelou-se numa decisão estúpida e inócua...na decisão de seguir para casa ou parar pelo caminho quando voltava de viagem de Múrcia..e não se preocupem que não estava perante uma decisão propriamente moral de ir festejar em Sevilha ou ir para o calor do meu lar...e sim perante uma mera decisão prática e aparentemente sem efeito ou consequencia moral...parar para dormir ou seguir viagem e chegar a casa às 5h00 da manhã.

Se calhar o facto de ser uma decisão simples e de eu estar cansado é que revelou a natureza imperfeita da "voz".

A verdade é que demorei cerca de 1h a decidir e acabei a sentir-me culpado de não fazer a viagem com grave risco para mim e para o meu carro e ficar a dormir num hotel de estrada.

Os factores que influenciaram a escolha foram racionais e não morais, mas o sentimento de culpa nasceu de factores externos e de reacções pré-programadas a esses factores (o tom de voz da minha mulher, o pedido do meu filho de 5 anos para que eu me despachasse, o facto de gastar mais dinheiro numa altura em que o mesmo não corre com fluidez...etc.etc.), que me fizeram pensar na natureza dessa "voz"...a "voz" moral que nos atormenta nas pequenas e nas grandes coisas.

E eis o que concluí para já...essa voz não é fiável..está demasiado confusa e confundida pelo nosso inconsciente para nos ajudar a decidir seja o que for...não nos diz mais do que uma repetição de regras cuja origem muitas vezes desconhecemos e cuja correcção se aproxima tanto de um atirar de moeda ao ar que, por vezes tem mais lógica fazer isso mesmo...atirar uma moeda ao ar!

O guia que me levou a decidir foi algo que teve tanto de comum como de inesperado...uma sensação física de cansaço.

Esse guia, sim está junto do verdadeiro guia...o nosso Eu inconsciente, aquela parte de nós que processa as infindáveis filas de informação e que nos dá resultados segundo a segundo desse processo, através de sensações físicas e intuições (a sensação de instabilidade que se revela nos nossos membros quando estamos enervados...a sensação de prazer quando estamos a deitar-nos cansados...o pedido de tempo extra de processamento quando temos insónias...etc.etc.).


E eis que os demónios sejam eles cristãos, árabes ou gregos perdem importância e encontramos Deus dentro de nós...nas sensações que nos habilitou a ter...e talvez isto...confiarmos nas nossas sensações a respeito das coisas, seja o que nas crenças se chama fé...fé em nós próprios e em todas as entidades ou movimentos que nos mantiveram vivos (e aos nossos ancestrais) até este momento...e que, quando vemos, estão, como sempre estiveram dentro de nós.

A "voz"...essa é um interlocutor intermédio...somos nós a tentarmos decifrar esses mistérios "divinos"(se calhar) não tão misteriosos...

Estou com fome...é hora de comer...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Revolução da Alma

Tenho que admitir que sempre gostei deste senhor por alguma razão...eis uma...bem extensa e com pano para mangas, camisolas...bem acho que um guarda roupa completo...ora vejam...Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto “Revolução da Alma” no ano 360 A.C. ... E dizem-me ser eterno:

"Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida. Quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. Não coloque o objetivo longe demais de suas mãos: abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre. Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor. Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo que está "pronto“ para ser feliz. Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda. Critique menos, trabalhe mais. E não se esqueça nunca de agradecer. Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento (...) Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida. A grandeza (da vida)não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

O que acham da eternidade obtida desta forma? Numa má tradução que raia o português e o brasileiro? Acham que se sentiria feliz o nobre filósofo em ver os seus textos espalhados e descontextualizados na net?

Sinceramente não sei...mas reza que era um defensor do mérito e da "praxis" para quem a palavra apenas valia se acompanhada da correspondente acção...pelo que tenho duvidas que apresentasse um discurso tão complexo e extenso...com tantas "dicas"...acho que, nos dias que correm nos diria algo mais prático e directo como:

"Parem de lamentar-se e, se querem ser felizes, metam mãos à obra seus maricas!"...

E se pensarmos como seria a vida naqueles tempos...acho que lhe vamos dar razão...e se repararem...acho que a isso se pode resumir o exposto texto...

E assim decido acabar as minhas férias de verão...que tal foram as vossas?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Comentarios e opiniões...

Estou cansado de conversas e banalidades...nos dias que correm todas as pessoas tem uma opinião formada sobre tudo...e infelizmente são poucas aquelas que dizem algo mais que...NADA!!!

Sei que provavelmente estou a ser injusto, e mais provavelmente ainda, arrogante...mas sinto que a minha cabeça por vezes vai explodir de tanto lixo verbal e opiniões não fundamentadas sobre os outros e os seus assuntos!!!

Senhores e senhoras...admitam de uma vez por todas que...se não nos entendemos a nós mesmos 90% das vezes...quais acham que serão as probabilidades de entenderem os vossos vizinhos, conterrâneos e/ou quem vive do outro lado do mundo?!?!?!?!

Basta de conjecturas e de opiniões!!! Parece que toda a gente aproveitou a voz que o mundo global lhe deu para gritar e palrar sem sentido!!!

Ora vejamos...temos aparentes especialistas aos magodes a darem entrevistas nas televisões e rádios do nosso pais sobre tudo...musica, culinária, revistas cor-de-rosa, política, economia, desporto, até pedras da calçada se necessário...e, pergunto-me...quantos destes "opinionistas" ou comentadores EFECTIVAMENTE participam ou participaram das actividades que tão bem e a larga escala comentam?

E o pior é que esta necessidade espalhou-se ao mundo que nos rodeia (pelo menos em Portugal)...TODA A GENTE COMENTA TUDO!!!

E raramente se ouvem as sábias palavras de humildade que muito prazer me trazem..."desconheço a matéria...logo prefiro não tecer comentários..."

Eis a minha sugestão...conheçam a matéria antes de tecer comentários...e muitas vezes descobrirão a dura realidade que a todos nos assola...conhecendo a matéria...perdemos a vontade de comentar...

A título de despedida sugiro um CD para quem perceba bem inglês..."The Journey" de Jerry Brunskill...muito bom...e com mensagem....sem comentários...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Gestalt


Todos nós um belo dia nos levantamos de manhã e, ao ver-mo-nos ao espelho, deparamo-nos com alguém que sabemos sermos nós, mas que não corresponde bem à imagem que vimos no dia anterior antes de nos deitarmos.
Nesse momento todas as filosofias são postas de parte e passamos a mão pela cara e pelo nosso corpo, como se de algo estranho se tratasse.
As razões podem ser várias...e o choque mais ou menos intenso, mas que isto acontece por vezes acontece, e a todos nós.
Trata-se de uma alteração da percepção da realidade a que decidí (e em honra ao meu professor de filosofia) chamar de "momento Gestalt"...o momento em que subitamente nada mudou, mas tudo está diferente.
É comum acontecer quando vamos em viagem...o aparente mal-estar quando voltamos para casa, em que tudo nos parece errado, enfadonho, estranho...quando muitas das vezes fomos nós que alteramos a nossa percepção das coisas enquanto estávamos fora...e deparamo-nos com a MESMA realidade mas com NOVAS exeperiências.
Diáriamente mudamos...pensamos...crescemos...descobrimos coisas novas....mas nem sempre temos a percepção de que o estamos a fazer.
O nosso próprio corpo muda...envelhece...cresce ou mingua...porque não o deveria fazer a nossa mente? Afinal de contas a mente...a nossa percepção é um processo biológico associado ao resto do nosso corpo e não externo a ele, não é?
Assim esta multiplicidade de experiências e sensações...de pequenos crescimentos e retrocessos acumulam-se e um belo dia, da mesma forma que nos apercebemos que aumentámos de peso (ou perdemos peso)...GESTALT...o mundo mudou e esqueceu-se de nos avisar!
Já não gostamos das mesmas coisas e já não vibramos com as mesmas sensações...já não acreditamos em sonhos que antes nos faziam fechar os olhos e delirar de prazer...e deliramos com coisas que anos antes nunca imaginariamos alguma vez vir sequer a tolerar.
GESTALT! O MUNDO MUDA!
O que eu sempre achei estranho foi...porque é que este processo contorna a nossa percepção? Porque é que nos apanha desprevenidos?
Poderá ser controlado? Usado? Canalisado a favor dos nossos interesses, necessidades ou ambições?
Poderemos forçar este processo dentro de nós em nosso beneficio?
Como poedrão verificar, esta tem sido a minha principal exploração...e a minha principal tese...sim!
Quando nos sentimos demasiado gordos...o que fazemos?...dieta!
A dieta não é mais do que fazer uma opção diária a nivel alimentar...escolher aquilo que comemos em função do nosso objectivo...emagrecer.
O mesmo principio se pode aplicar às ideias, emoções e sensações...embora aparentemente de forma mais complexa (admito).
Algumas filosofias "zen" defendem este mesmo principio através da reflexão, meditação e isolamento...ferramentas aparentemente complexas e que implicam estudo, disciplina e métodos que muitas vezes não estão ao nosso alcance.
O que proponho é uma versão "fast food" do mesmo principio...afastar-mo-nos daquilo que nos deixa infelizes, mal dispostos ou que nos perturba, numa atitude nitidamente anti-freudiana.
Isolemos a nossa mente de forma tradicional...não procuremos tantas respostas e tantas causas e efeitos em tudo o que sentimos, vemos e fazemos...muitas vezes por muito que procuremos não as encontramos...estão fora do nosso alcance...porque insistir?
Se o mundo que nos rodeia nos parece feio...recorramos à ilusão para o embelezarmos...sejamos artistas plásticos do mundo que nos rodeia...quer na realidade (pintando/fotografando/descrevendo coisas belas)...quer na nossa opção das vistas para onde olhamos diariamente...
Forcemo-nos a acreditar que o mundo é bom e que as pessoas que o preenchem são boas...estão de boa fé e não nos querem mal..embora isso por vezes seja uma ilusão é tão ilusório como o contrário!
Se as noticias e noticiários nos fazem temer o mundo, mudemos de canal e façamos disso uma regra diária (NÃO VER NOTÍCIAS)...vejamos comédias e series de ficção (sendo que a ficção ciêntifica parece-me ser o caminho que menos agruras nos trás...até porque mesmo nas series mais violentas deste género normalmente os maus são monstros extra-terrestres e não humanos!!!).
Voltemos a acreditar no Pai Natal...que bela figura essa que apenas nos trás prendas e que se rí por tudo e por nada...uma ilusão bela e bastante positiva e perfeitamente inóqua!!!
Com algumas destas medidas estamos a criar a nossa própria percepção...baseada naquilo que QUEREMOS vêr...e não naquilo que INCONSCIÊNTEMENTE acabamos por vêr e que, admitamos, muitas vezes é uma ilusão gerada pelo nosso consciente.
A diferença entre ambas as situações nasce neste ponto essencial...na actuação CONSCIENTE sobre a nossa própria percepção...face à compulsão INCONSCIÊNTE.
Até porque a realidade é uma mera percepção...não é aquilo que vemos ou sentimos...é algo mais ou menos...alterado pelo nosso estado mental.
Desta forma estaremos a alterar a nossa realidade com um plano...nem que seja o mero plano de experimentar as sugestões de um louco (neste caso...EU...).
Estou a advogar a corrupção dos sentidos e da mente!!!Admito que talvez esteja...se servir um propósito pessoal...porque não?...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para Desenjoar...

Hoje dediquei 10 mins do meu tempo a ver o que se escreve pela "Blogosfera"...e ao optar por este caminho, achei por bem ver as vistas da vizinhança...e comecei...pela vizinhança!!.

Aqui fica o "blog" da minha vizinha de escritório...um Blog que na minha opinião prima pela simplicidade e pelo bom gosto visual e não só..(por onde anda a raimundinha)...e cujas fotos (espero eu) passem a ter uma presença regular neste Blog...como a que hoje está exposta...mais pelo sentido visual desta "descida à terra", embora a definição da imágem esteja muito boa.

Depois decidí dar um salto a um Blog recomendado por um grande amigo meu, um Blog que parece andar a fazer "furor" na Blogosfera nacional portuguesa...(A causa foi modificada)...e após ler alguns dos textos publicados, entendí por quê...curto e, quando necessário, grosso!...bom para desenjoar...e óptimo para relaxar lendo opiniões directas e não preocupadas com a opinião do leitor.

Seja como for, e para não vos sobrecarregar de informação...aqui ficam dois para verem, lerem e respirar fundo de tanto existêncialismo...aproveitemos outras formas de pensar, ver e sentir...são demasiado raras para as recusaramos sem mais...ler sobre algo que normalmente não fazemos ou lemos...pode ser uma grande aventura! Ou pelo menos o início de uma...

No meu próximo "post"...estou a pensar em Revolução...e não só dos sentidos ou da maneira de pensar..

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O Teorema do Antagonismo Deus/Acaso


Olá outra vez...para desenjoar um bocado da paisagística existêncial em que tenho andado focalizado nos últimos tempos, fujo hoje pra um outro campo, também ele existêncialista, mas desta vez que se prende com o determinismo/livre arbitrio.

Hoje, por "acaso" dei com um Blog...e muito específicamente com um "post" de um Blogger que desconheço, mas cujos "posts", no momento em que vos escrevo já lí (também não são muitos...4 até ao momento...mas bons! Directos, concisos e definitivamente não tão longos quanto os meus!!!).

Mas o primeiro que lí (O Teorema do Antagonismo Deus/Acaso) versava, em linhas breves, sobre a questão da ordem que existe e é verificada na estructura do Universo (verificada diariamente por cientistas do mundo inteiro) e a possibilidade de a mesma derivar de uma Ordem Universal (um ser superior) ou do mero Acaso.

Como o autor do pensamento, concordo que para ser Acaso já estamos a exagerar nas coincidências!!!!

Efectivamente deve existir uma Ordem subajcente a Tudo o que nos rodeia, sendo que, na minha opinião, a sensação de Acaso e Livre Arbitrio deriva exclusivamente de desconhecermos o encadear das causas e efeitos que levam ao produto final.

Ora...este conceito, quando aplicado às nossas vidas pode ser complexo...seremos efectivamente livres ou a nossa "liberdade" é derivada da mera ignorância dos factores que condicionam as nossas escolhas?

Pois é...é uma pergunta banal e até filosófica demais...mas experimentem ver as coisas da seguinte forma...antes de decidirmos seja o que for, não seria interessante pensar uns segundos sobre porque estamos a decidir assim? As conclusões podem ser muuuuito interessantes...e os efeitos das decisões...mais ainda! :)

Se por ventura forem mais impulsivos... o "depois" é sempre um momento tão bom para fazer este processo como o "antes"!

Bom fim de semana para todos!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Relva e Maslow

Continuando nos "posts" dedicados à botânica do auto-conhecimento, e conforme prometido, estava ontem a preparar-me para escrever um pouco mais sobre as minhas conclusões a respeito do que era a Relva para mim, quando subitamente me apercebí que escrever sobre as MINHAS conclusões seria um mero exercício de ego que em pouco ou nada serviria a quem lesse este Blog e que não se enquadra no sentido que lhe estou a dar, e que continuo a convidar quem o lê para partilhar comigo...quando de súbito dou por mim a ler um pequeno trecho de um autor integrado num "mini-curso" de gestão no Youtube (Maslows Hierarchy of Needs).

O que me chamou a atenção neste trecho foi simplicidade com que Abraham Maslow hierarquiriza as necessidades humanas em forma piramidal que se pode resumir da seguinte forma:

"A hierarquia de necessidades de Maslow, é uma divisão hierárquica proposta por Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada um tem de "escalar" uma hierarquia de necessidades para atingir a sua auto-realização.


Maslow define um conjunto de cinco necessidades descritos na pirâmide:
1.º Patamar: Necessidades Fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a excreção, o abrigo;
2.º Patamar: Necessidades de Segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida ou até a segurança emocional;
3.º Patamar: Necessidades Sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;
4.º Patamar: Necessidades de Estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos;
5.º Patamar (Topo da Piramide): Necessidades de Auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser: "What humans can be, they must be: they must be true to their own nature!".

É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem que ser coerente com aquilo que é na realidade "... temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais" (adaptação própria do artigo da Wikipedia intitulado "Hierarquia de necessidades de Maslow" in http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow).

Esta tese, apesar de simplista e aplicada à gestão de empresas, pareceu-me excelente para elencar por patamares a nossa situação individual enquanto pessoas (aquilo a que carinhosamente tenho chamado a nossa "relva") de uma forma objectiva, sendo que no topo, isso sim estaria o passo seguinte...as nossas aspirações e potencial.

A aplicação deste esquema teórico dos campos de necessidades humanas a um processo de introspecção pessoal pareceu-me uma ideia fantástica a por em prática.

Os resultados são fantásticos...serve até como teste à nossa satisfação pessoal, e melhor...aplicando-o verificamos, em alguns casos (como o meu, por exemplo) que logo no primeiro patamar tenho falhas complicadas a resolver.

Ora, se tenho falhas a resolver logo no primeiro patamar desta escala (que para mim tem a virtude de ser bastante directa e objectiva), porque não usa-la como guia na utulização dos processos de focalização e subrotinas que vos falei antes?

E eis que novos horizontes começam a abrir-se...

Depois de ler este resumo de teoria fiz uma pequena auto-análise breve baseada nas suas secções e eis o que descobrí:
1.º Patamar: Incompleto (sou fumador, durmo pouco, não vou publicar nada sobre a minha vida intíma obrigado, como mal e essencialmente apenas a parte excretória está a funcionar bem e regularmente!!!)
2.º Patamar: Estranhamente até está razoável, apesar de viver numa constaante insegurança económica com relação ao futuro (embora a análise deva ser feita com relação ao presente em meu ver);
3.º Patamar:  Sou extremamente individualista para ter uma vida social grupal, mas posso verificar falhas (que sempre vão existir numa relação estável...mas que se tem vindo a agravar nos últimos tempos...no campo do amor, afeto e integração social);
4.º Patamar: Pura e simplesmente desisti dele há uns anos, mas reconheço que tem extrema relevância para completar o 3.º, embora estranhamente a auto-estima esteja muito bem obrigado.
5.º Patamar: Pois é...aqui é onde deve acabar a "Relva" e começar o verdadeiro potencial.

Muito bem...desta análise breve é possível concluir muitas coisas, tantas que podem levar ao caos interno em vez de levar ao auto-conhecimento...

Para ser sincero, e fruto de ter entrado nesse mesmo caos por momentos, concluo (talvez por necessidade de auto-preservação) que não me parece que esta listagem e hierarquia seja 100% fiável...nenhum patamar vai estar INTEGRALMENTE realizado...com excepção talvez do 1.º que esse sim deve ser realizado para atingir (ou pelo menos tornar fiável a análise) dos próximos.

Utilizar esta piramide como "guia" não nos vai dizer o que é a "Relva"...quem somos...mas parece-me uma ferramenta util apenas para focalizar o nosso processo de análise nas nossas necessidades, e tentar encontrar um padrão nas mesmas, padrão este que se repete de patamar para patamar (no meu caso e na análise sumária que fiz a Profissão e necessidades profissionais ganharam um ponto elevado, pois as "faltas" estão quase todas associadas a componentes profissionais e do meu modo de encarar a vida focalizado no trabalho).

E com a Hierarquia das necessidades de Maslow encerro o capitulo da Relva...pela qual já caminho há uns dias..

Deixo-vos, para finalizar, com uma frase que pensava eu ser atribuida a um filósofo católico que primava pelas falhas e pela sabedoria do que deveria ser feito (até porque, segundo ele...ele raramente conseguia seguir os próprios concelhos e conceitos que estipulava), Santo Agostinho, mas que pela pesquisa verifiquei ser de uma outra pessoa:
"Dai-me Senhor serenidade para aceitar coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquilo que sou capaz e sabedoria para ver a diferença." (Reihold Niebuhr)

A frase é fantástica, mas na minha opinião, está na ordem errada..logo..comecemos por treinar os nossos sentidos para "ver a diferença" e depois aceitemos e mudemos,  o que acham?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

À Descoberta da Relva...

O tema, para quem seguiu os meus últimos "posts" está nitidamente relacionado com o desfecho do último, onde, acabei com o seguinte parágrafo:

"Logo...antes de nos lançarmos à Lua...entendamos que para lá chegar temos que saber o que é a relva...aceitar que a mesma é o nosso meio natural e depois...bem...depois...perceber que a Lua e as estrelas são alcançáveis...se as quisermos ao ponto de sair da relva...se não...aproveitemos o cheiro e a frescura da mesma numa tarde de verão...não é menos digno nem menos sonhador."

Como o sentido deste Blog é criar teoremas, entendendo como tal a definição segundo a qual um teorema é " uma afirmação que pode ser provada" e, como bem podemos ver na nossa estimada "Wikipédia", para se produzir um teorema é preciso demonstrá-lo (i.e., prová-lo), por mais que a demonstração em si não faça parte do teorema (um teorema consiste em apenas uma implicação que pode ser provada), não podia, nem devia, deixar de colocar à prova (ou testar) as minhas próprias afirmações.

Assim sendo, dediquei-me a "descobrir-me a mim mesmo", de forma a tentar descobrir se é a Lua, a Relva e/ou o Infinito que chama o meu imaginário realizável.

Que fiz eu? Procurei aprender técnicas meditativas? Procurei ir à procura de livros de auto-conhecimento? Fui ao Psicólogo?

Todas estas técnicas são validas, embora, lamento informar-vos, não tenha recorrido a nenhuma delas...recorri então ao quê?

Pois bem, recorri a mim mesmo e às poucas faculdades que a minha estrutura genética me deu...aos meus ouvidos, olhos, voz e sistema nervoso...até porque me pareceram uma óptima maneira de começar...e, admito, bastante mais económica.

Tentei começar a ver o que faço antes de o fazer...e quando digo isto, digo-o com relação a todas as coisas que faço, desde as pequenas coisas até às grandes...desde a forma como lavo os dentes, à ordem em que o faço (primeiro os de cima e depois os debaixo) e depois tentei descobrir de onde veio essa ordem (ou prática diária...porque a mesma repete-se todos os dias e por vezes, mais do que uma vez por dia).

Neste caso sem aparente importância, reparei que o faço porque gosto do sabor da pasta de dentes, e como tal, deixo o melhor momento para o fim...o clímax do lavar de dentes...o sabor fresco da pasta na minha língua!

Aparentemente esta conclusão é inútil, certo? Mas pasme-se o mundo...comecei a perceber que repetia este processo psicológico em mais do que uma suave (numa perspectiva psicológica) operação como seja o lavar dos dentes...o meu ritmo diário repete esta mesma equação...tento fazer as coisas que me desagradam o mais cedo possível para deixar o melhor para o fim...desde o pequeno-almoço, ao almoço fora de horas (a partir das 16h quando o ritmo de trabalho do mundo que me rodeia aparenta abrandar) e finalmente o cigarro no fim do dia.

Este padrão repete-se e condiciona as minhas escolhas nos pequenos padrões, e nos grandes? Senhores e senhoras! Está lá! Adio o lazer para amanhã, para "quando tudo estiver mais calmo" e/ou "mais organizado", e o resultado tem sido uma vida de constantes obrigações e responsabilidades sem fim que me tem levado a não ter FERIAS (com maiúsculas) À ANOS!!!

Como esta "revelação" tive várias da mesma ordem e fruto de outras observações, sendo que estou a usar esta como exemplo por ser simples e suficientemente comum para ser generalista o suficiente para servir de exemplo e/ou guia para quem ler este "Blog".

Comecei também a observar e a ouvir aquilo que digo e aquilo que faço, e a ver como muitas vezes digo coisas que nitidamente se opõem às coisas que efectivamente faço!

Nomeadamente...uma das minhas frases favoritas é "preciso de férias"...e depois...quando tenho oportunidade de as ter...só penso em trabalho!!! No que vou fazer! Nas ideias que tenho para os negócios! Nas ideias que tenho para a advocacia!

Logo...se calhar...preciso e adoro trabalhar...porquê nega-lo? É um facto sem o qual EU não sou EU...e sempre que não gostei do que estava a fazer, procurei encontrar um sentido para o que fazia que me fizesse reencontrar esse mesmo prazer que SEMPRE tive no trabalho...nem que seja o DINHEIRO que o mesmo me possa vir a dar (sim...o dinheiro com o qual penso ter aquelas férias que ando a pedir há anos...).

Outra técnica foi sentir o meu corpo...talvez a mais difícil de "experimentar"...sugiro que façam essa tentativa aparentemente fácil...sentir os vossos corpos POR DENTRO...sem se tocarem...focalizarem-se nas vossas sensações internas (e atenção que não vos digo, nem é meu objectivo, que o façam permanentemente e a toda a hora...).

Após tentar fazê-lo com o meu sistema nervoso interno (sentir-me por dentro) verifiquei que o mesmo não parece estar muito vocacionado para este propósito, com excepção talvez dos órgãos mais directamente associados aos sistemas gástrico, urinário e, admito, reprodutor.

Apercebi-me que, no que ao restante dos meus sistemas internos, que não sejam os que referi, se não estiver a tocar em "mim" não "me" sinto a não ser quando "sinto" uma dor localizada...de tal forma assim é que estive cerca de 30 minutos à procura do meu batimento cardíaco (em descanso) sem grandes resultados.

Por coincidência, e ainda relacionado com este tema, este fim-de-semana, aproveitando uma escapadela de Páscoa, fui até um SPA com a minha esposa, e enquanto ela foi descansar para o quarto...aproveitei para ir fazer uma experiência...no SPA tinham uma publicidade ao "Flotarium" que diziam ser uma câmara de isolamento onde ficaria a boiar e isolado de sons e sensações (que não a da água).

Se bem que não se tratasse de uma câmara e sim de um quarto, e o isolamento fosse só parcial, foi um ambiente óptimo para manter esta experiência que vinha a realizar, embora desta vez baseado na audição...sem som externo, talvez conseguisse ouvir os meus sons internos...pois bem...fiquei absolutamente irritado com o som da minha respiração, que raramente me deixou ouvir fosse o que fosse.

Seja como for, destas pequenas experiências verifiquei que eu (aparentemente, ou pretensamente, um ser introspectivo) não tenho noção do que se passa DENTRO DE MIM em termos sensitivos (termos aparentemente simples de processar) como sejam os sentidos em que confio diariamente para me mexer e para comunicar com o mundo a não ser para me dizer que algo me dói, que tenho fome, que algo me estimula sexualmente ou que tenho necessidade de ir à casa de banho.

Pareceu-me bastante limitativo...mas pensando bem...não foi...nada!...efectivamente os sentidos estão vocacionados para o mundo exterior...e as únicas sensações (sensoriais) internas que são efectivamente avassaladoras são...estas...as relacionadas com a sobrevivência...nutrição, excreção e reprodução (os três elementos comuns a todos os seres vivos!!!)...e Senhoras e Senhores...como elas nos condicionam! E como condicionam o nosso estado de "espírito", sonhos e realizações diárias!!!!

Das minhas sensações internas, apenas vou mencionar que alterei a minha dieta diária...e como isso tem alterado o meu estado de espírito, é absolutamente fantástico.

Seja como for, esta é a concretização que estou a fazer da descoberta do que é a minha Relva, e que procurarei partilhar convosco numa outra ocasião...mas de momento precisava de converter e demonstrar que o meu último post não era mais uma "teoria" e sim um "teorema"...de ferramentas bem fáceis de aplicar como podem ver...

Amanhã (espero eu) algumas conclusões sobre a Relva...no entanto, e antes de acabar, deixar-vos uma dica de análise...procurem pontos comuns nos ritmos/comportamentos/sensações que analisarem..qualquer ponto de partida é valido, sendo que onde esses pontos estão mais EXPRESSOS e a descoberto, normalmente, é nos "rituais" inconscientes das pequenas operações diárias (qualquer uma e todas elas)...prestem atenção aos pequenos movimentos que fazem e à ordem em que os fazem...antes de se porem a interpretar PORQUE os fazem...o padrão..se prestarem atenção...aparece por si só...se não...peçam ajuda a um conhecido/amigo/cônjuge...digam-lhes que se trata de um jogo (se preferirem)...

Ou então...recorram ao sistema que acharem mais adequado para vocês...estes são meras sugestões..e que me tem servido de muito...

Mais concreto...espero...comecemos a descobrir o nosso pedaço de relva.

terça-feira, 23 de março de 2010

A relva, a Lua ou o infinito?

Quando era mais novo, costumava usar uma expressão de influência anglo-saxónica que, pensava eu, me definia bastante bem..."almeja a Lua e chegarás aos céus...almeja as estrelas e chegarás à Lua".

Engraçada a expressão, deixava de fora o infinito...

Logo, "e se almejarmos TODAS AS ESTRELAS...o UNIVERSO...o que poderemos alcançar?" pensava eu desde a inocência dos meus 14 anos...

É bem mais fácil de "filosofar" sobre este princípio do que vive-lo, não acham?

Efectivamente são estas frases bombásticas e altamente "profundas" que nos invadem diariamente e que, inevitavelmente, nos fazem sentir como formiguinhas a almejar a relva, porque, sejamos realistas, a vida diária não nos permite almejar mais nada...ou será que permite?

Hoje não vos trago resultados de experiências, trago meramente opiniões e dúvidas (se calhar derivadas até da minha luta diária pelo meu pedacinho de relva- ou "grama" como se diz no Brasil).

É nos difícil (para não dizer impossível) diariamente olharmos para o céu e ver mais do que pequenos pontos de luz que pouco ou nada nos dizem (quer à nossa sensibilidade quer à nossa razão)...e quem escreve e publicita estas frases bombásticas se calhar está já alheado dessa mesma luta pela sobrevivência em que a grande maioria de nós se encontra envolvido diariamente.

Para a grande maioria de nós, o trabalho esforçado diário preenchido de rotinas e obrigações transforma-nos lentamente em amebas multicelulares que vivem de impulsos programados (por nós próprios) e que tem por fim evitar a percepção de realidades maiores que as do nosso dia-a-dia.

A esta atitude, senhoras e senhores, nada há, na minha opinião, a criticar...faz parte do nosso instinto de sobrevivência fazê-lo!

Da mesma forma que faz parte desse mesmo instinto sucumbir a medos, tentações, desejos, paixões, seguir ditames morais, quebra-los e...bem sucumbir a tudo o que o nosso inconsciente nos trás e oferece, porque é essa a função do inconsciente.

É difícil ver as estrelas...mais difícil ainda sonhar com elas...e muito mais inalcançável almejar o "infinito"...daí a armadilha da frase inicial.

Uma vez mais coloca-nos perante um objectivo aparentemente simples, mas...admitamos...impossível (pelo menos com a regularidade que nos parece ser pedida pela frase...que é diária).

Almejar a Lua com uma regularidade anual é provavelmente um mega sucesso para quem, entre nós, pobres mortais com ocupações (e preocupações) diárias desgastantes, o consiga fazer! E se o fizermos com uma regularidade bianual...sucesso, pois será essa a nossa diferença!

A percepção da realidade não está só dependente de nós..os nossos sonhos também não...e isso é uma realidade que para a grande maioria é incontornável!

No entanto...existe algo de imediato no prazer de ver uma Lua cheia...e nesses momentos, talvez seja mais fácil sonhar com o momento em que a iremos tocar...é esse o momento que devemos estimar..é essa a porta da percepção que atravessada implica que demos um passo mais na nossa evolução pessoal e que esse passo é possível...se conseguimos sonhar 1 vez por ano com a Lua (ou com a Lotaria...) então estaremos um passo mais próximos de a alcançar (ou de jogar no bilhete...) e não nos devemos massacrar com o facto de não o fazermos diariamente...nem nos devemos impressionar com quem o faz diariamente (pois se o fazem ou são "aluados" ou talvez mais desocupados...)

Temos todos nós, que uma vez mais começar a ser mais pacientes e tolerantes e essa tolerância passa, em primeiro lugar, pelas nossas falhas e imperfeições...tolerarmos a nossa raiz humana e animal (sim...porque na realidade não deixámos de ser animais pelo mero facto de possuirmos uma característica genética que nos deu um Neocortex em vez de um mero córtex cerebral).

Aceitando-nos como somos (e todos nós por vezes ou na maioria das vezes somos preguiçosos e limitados) não estaremos a libertar a nossa percepção e imaginação para ir mais além?

Pelo menos não estaremos a ocupa-la com informação desnecessária...que é a concentração naquilo que achamos que deveríamos ser, e não somos.

Comecemos então pelo básico...descobrir-nos a nós mesmos...comecemos pela relva, sem pretensões absolutistas e/ou irrealistas.

Quando conseguirmos ver-nos como somos com limitações, defeitos e virtudes, talvez estejamos prontos para pensarmos como queremos ser...porque só aí teremos a noção daquilo que efectivamente queremos mudar!

De outra forma estaremos meramente a perpetuar sonhos infantis que apenas nos servem para nos deixar infelizes...porque, admitamos...se aos 45 não formos milionários...muito provavelmente (mais ainda se não jogarmos na lotaria) não o seremos aos 50...pelo que se calhar não estamos destinados a sê-lo.

Mas o não ser milionário não quer dizer que não tenhamos uma função mais importante que um milionário e/ou que a nossa esposa seja pior do que a dele.

O facto de que ele viaje mais do que nós não quer dizer que ele aproveite melhor a vida...apenas que tem uma vida diferente e provavelmente igualmente esforçada, noutros campos que consideramos garantidos, como seja o descanso ou a paz connosco mesmos.

Olhemos para o que somos antes de olharmos para o que queremos ser..olhemos para o que queremos antes de querer...e se for intenso...vamos saber que queremos e PORQUÊ...o que é meio passo para alcançar...porque é nesse PORQUÊ que muitas vezes está a nossa principal limitação..

Se quisermos...teremos...e o PORQUÊ é o que nos vai levar a distinguir.

Logo...antes de nos lançarmos à Lua...entendamos que para lá chegar temos que saber o que é a relva...aceitar que a mesma é o nosso meio natural e depois...bem...depois...perceber que a Lua e as estrelas são alcançáveis...se as quisermos ao ponto de sair da relva...se não...aproveitemos o cheiro e a frescura da mesma numa tarde de verão...não é menos digno nem menos sonhador.

O infinito...a Deus ou a ele próprio pertence..e, sejamos realistas, ninguém sabe o que é o Infinito...talvez só Deus mesmo.

Sei que fui mais abstracto que o normal...mas...terei sido mesmo?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sinais e Medos...eis a questão.

Antes de mais...BOM ANO a todos!!!
E agora...uns dias depois e antes de entrar no avião amanhã (sim porque VOU MESMO PARA MADRID!!!! Não era retórica!! E mesmo em negócios!!!- duas reuniões em dois dias consecutivos) pareceu-me interessante abordar um tema que se prende muito com as viagens...e que é...o tema do medo.
Dado que no "post" sobre Aristóteles falava de sensações internas físicas que identifiquei com "sinais" da nossa intuição e no último falei de subrotinas que podem aperfeiçoar e alterar as nossas probabilidades de atingir Objectivos e Fins, pareceu-me interessante dedicar um breve texto ao medo (uma sensação que pode baralhar a nossa percepção de sinais e baralhar completamente as famosas "subrotinas").
Entendamos em 1.º lugar a função que o medo tem para nós enquanto seres vivos...ou seja...enquanto animais, antes de "Homo Sapiens Sapiens".
O medo é um mecanismo biológico que tem por função preservar a vida do animal.
A típica reacção de "ficar congelado" ou "entrar em pânico" tem uma função biológica determinada que surgiu quando nós éramos meros primatas a viver na selva entre outros animais.
O famoso "congelar" visava obrigar-nos, enquanto animais, a ficar quietos (e silenciosos) e expectantes, com os sentidos apurados ao máximo por forma a identificar o perigo desconhecido sem dar "pistas" à eventual ameaça.
O "pânico" (entendendo-o como a necessidade louca de fugir, gritar e esbracejar) é uma outra resposta que visava, por sua vez, assustar essa mesma ameaça e/ou fugir dela, uma vez que ao faze-lo (enquanto animais na selva) apresentávamos um "show" de som e acção que levaria uma grande parte dos animais a fugirem assustados.
Estas respostas naturais são típicas ainda em primatas da nossa família (vejam documentários sobre gorilas e macacos em geral).
São naturais demais até porque o ser humano, tirando o seu cérebro altamente evoluído, enquanto animal na selva é, temos que admitir, um animal bem fraquinho e com poucas capacidades de sobrevivência pelos próprios meios!!
Não temos garras, não temos musculatura (superior pelo menos...um orangotango ganha-nos em força), não temos dentição e/ou maxilares que permitam proceder a uma ameaça maior que...bem...gritar e correr...pelo menos se confrontados com outros carnívoros de porte semelhante e/ou inferior até ao nosso.
Logo...estas ferramentas naturais eram úteis e permitiram a nossa sobrevivência enquanto espécie durante uns milhares/milhões de anos.
Com o uso da outra ferramenta que nos caracteriza e coloca muito acima da média dos outros animais (o cérebro provido de um neocortex altamente evoluído)...desenvolvemos capacidades inesperadas e anti-naturais de sobrevivência...anti-naturais, porque o normal na natureza sempre foi a adaptação do animal ao meio em que vive e NÃO a adaptação do meio ao ANIMAL...adaptação que surge com o desenvolvimento de ferramentas e com a alteração do meio provocada pelos seres humanos!
Foi neste processo que o homem se distanciou, pela primeira vez dos animais (uma imagem muito bem captada por Stanley Kubric no filme "2001- Odisseia no espaço" ao som de "Assim falou Zaratrusta" de Wagner...o macaco que pega num osso e começa a estraçalhar os ossos em seu redor).
Pois bem...como poderão depreender, o medo...nas formas apresentadas, não é uma ferramenta útil para o ser humano no seu estado evolutivo e cultural actual..é como os pelos da barba nos homens...é uma reacção orgânica desactualizada e muitas vezes bem desadaptada...mas real...tão real como as nossas células e como os nossos órgãos.
Dado que estou atrasado, deixo a presente ideia para pensamento...como identificar esta reacção? O que fazer com ela? É um sinal?
A mim não me parece que seja...cabe agora explorar os vários medos e ver quais são viáveis e quais não...mas em regra, nenhum deles é útil (na minha opinião)...a não ser para identificar um problema interno a ser explorado dissecado e ultrapassado...são meros sinais de pontos fracos a resolver...e se não forem resolvidos serão uma carga desnecessária.
Qualquer sinal orgânico que nos leve à inacção reiterada, na minha opinião, não é um sinal...É UM MEDO...a não ser que ACTUEMOS com relação a isso.
Os sinais levam à ACÇÃO...os MEDOS à INACÇÃO...parece-me um bom ponto de partida para classificar e distinguir os dois tipos de sensações...embora não o único, claro.
Vou pensar um pouco mais nisso e talvez fale mais sobre o assunto quando voltar.
E sim...tenho medo de voar...afinal de contas nenhum de nós nasceu com asas nas costas, certo?...mas aviões são uma realidade actual!! E o medo de alturas é uma reacção com MILHÕES DE ANOS!!!!
BOM ANO PARA TODOS!!
MADRID...aqui vou eu!