quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sinais e Medos...eis a questão.

Antes de mais...BOM ANO a todos!!!
E agora...uns dias depois e antes de entrar no avião amanhã (sim porque VOU MESMO PARA MADRID!!!! Não era retórica!! E mesmo em negócios!!!- duas reuniões em dois dias consecutivos) pareceu-me interessante abordar um tema que se prende muito com as viagens...e que é...o tema do medo.
Dado que no "post" sobre Aristóteles falava de sensações internas físicas que identifiquei com "sinais" da nossa intuição e no último falei de subrotinas que podem aperfeiçoar e alterar as nossas probabilidades de atingir Objectivos e Fins, pareceu-me interessante dedicar um breve texto ao medo (uma sensação que pode baralhar a nossa percepção de sinais e baralhar completamente as famosas "subrotinas").
Entendamos em 1.º lugar a função que o medo tem para nós enquanto seres vivos...ou seja...enquanto animais, antes de "Homo Sapiens Sapiens".
O medo é um mecanismo biológico que tem por função preservar a vida do animal.
A típica reacção de "ficar congelado" ou "entrar em pânico" tem uma função biológica determinada que surgiu quando nós éramos meros primatas a viver na selva entre outros animais.
O famoso "congelar" visava obrigar-nos, enquanto animais, a ficar quietos (e silenciosos) e expectantes, com os sentidos apurados ao máximo por forma a identificar o perigo desconhecido sem dar "pistas" à eventual ameaça.
O "pânico" (entendendo-o como a necessidade louca de fugir, gritar e esbracejar) é uma outra resposta que visava, por sua vez, assustar essa mesma ameaça e/ou fugir dela, uma vez que ao faze-lo (enquanto animais na selva) apresentávamos um "show" de som e acção que levaria uma grande parte dos animais a fugirem assustados.
Estas respostas naturais são típicas ainda em primatas da nossa família (vejam documentários sobre gorilas e macacos em geral).
São naturais demais até porque o ser humano, tirando o seu cérebro altamente evoluído, enquanto animal na selva é, temos que admitir, um animal bem fraquinho e com poucas capacidades de sobrevivência pelos próprios meios!!
Não temos garras, não temos musculatura (superior pelo menos...um orangotango ganha-nos em força), não temos dentição e/ou maxilares que permitam proceder a uma ameaça maior que...bem...gritar e correr...pelo menos se confrontados com outros carnívoros de porte semelhante e/ou inferior até ao nosso.
Logo...estas ferramentas naturais eram úteis e permitiram a nossa sobrevivência enquanto espécie durante uns milhares/milhões de anos.
Com o uso da outra ferramenta que nos caracteriza e coloca muito acima da média dos outros animais (o cérebro provido de um neocortex altamente evoluído)...desenvolvemos capacidades inesperadas e anti-naturais de sobrevivência...anti-naturais, porque o normal na natureza sempre foi a adaptação do animal ao meio em que vive e NÃO a adaptação do meio ao ANIMAL...adaptação que surge com o desenvolvimento de ferramentas e com a alteração do meio provocada pelos seres humanos!
Foi neste processo que o homem se distanciou, pela primeira vez dos animais (uma imagem muito bem captada por Stanley Kubric no filme "2001- Odisseia no espaço" ao som de "Assim falou Zaratrusta" de Wagner...o macaco que pega num osso e começa a estraçalhar os ossos em seu redor).
Pois bem...como poderão depreender, o medo...nas formas apresentadas, não é uma ferramenta útil para o ser humano no seu estado evolutivo e cultural actual..é como os pelos da barba nos homens...é uma reacção orgânica desactualizada e muitas vezes bem desadaptada...mas real...tão real como as nossas células e como os nossos órgãos.
Dado que estou atrasado, deixo a presente ideia para pensamento...como identificar esta reacção? O que fazer com ela? É um sinal?
A mim não me parece que seja...cabe agora explorar os vários medos e ver quais são viáveis e quais não...mas em regra, nenhum deles é útil (na minha opinião)...a não ser para identificar um problema interno a ser explorado dissecado e ultrapassado...são meros sinais de pontos fracos a resolver...e se não forem resolvidos serão uma carga desnecessária.
Qualquer sinal orgânico que nos leve à inacção reiterada, na minha opinião, não é um sinal...É UM MEDO...a não ser que ACTUEMOS com relação a isso.
Os sinais levam à ACÇÃO...os MEDOS à INACÇÃO...parece-me um bom ponto de partida para classificar e distinguir os dois tipos de sensações...embora não o único, claro.
Vou pensar um pouco mais nisso e talvez fale mais sobre o assunto quando voltar.
E sim...tenho medo de voar...afinal de contas nenhum de nós nasceu com asas nas costas, certo?...mas aviões são uma realidade actual!! E o medo de alturas é uma reacção com MILHÕES DE ANOS!!!!
BOM ANO PARA TODOS!!
MADRID...aqui vou eu!