segunda-feira, 5 de abril de 2010

À Descoberta da Relva...

O tema, para quem seguiu os meus últimos "posts" está nitidamente relacionado com o desfecho do último, onde, acabei com o seguinte parágrafo:

"Logo...antes de nos lançarmos à Lua...entendamos que para lá chegar temos que saber o que é a relva...aceitar que a mesma é o nosso meio natural e depois...bem...depois...perceber que a Lua e as estrelas são alcançáveis...se as quisermos ao ponto de sair da relva...se não...aproveitemos o cheiro e a frescura da mesma numa tarde de verão...não é menos digno nem menos sonhador."

Como o sentido deste Blog é criar teoremas, entendendo como tal a definição segundo a qual um teorema é " uma afirmação que pode ser provada" e, como bem podemos ver na nossa estimada "Wikipédia", para se produzir um teorema é preciso demonstrá-lo (i.e., prová-lo), por mais que a demonstração em si não faça parte do teorema (um teorema consiste em apenas uma implicação que pode ser provada), não podia, nem devia, deixar de colocar à prova (ou testar) as minhas próprias afirmações.

Assim sendo, dediquei-me a "descobrir-me a mim mesmo", de forma a tentar descobrir se é a Lua, a Relva e/ou o Infinito que chama o meu imaginário realizável.

Que fiz eu? Procurei aprender técnicas meditativas? Procurei ir à procura de livros de auto-conhecimento? Fui ao Psicólogo?

Todas estas técnicas são validas, embora, lamento informar-vos, não tenha recorrido a nenhuma delas...recorri então ao quê?

Pois bem, recorri a mim mesmo e às poucas faculdades que a minha estrutura genética me deu...aos meus ouvidos, olhos, voz e sistema nervoso...até porque me pareceram uma óptima maneira de começar...e, admito, bastante mais económica.

Tentei começar a ver o que faço antes de o fazer...e quando digo isto, digo-o com relação a todas as coisas que faço, desde as pequenas coisas até às grandes...desde a forma como lavo os dentes, à ordem em que o faço (primeiro os de cima e depois os debaixo) e depois tentei descobrir de onde veio essa ordem (ou prática diária...porque a mesma repete-se todos os dias e por vezes, mais do que uma vez por dia).

Neste caso sem aparente importância, reparei que o faço porque gosto do sabor da pasta de dentes, e como tal, deixo o melhor momento para o fim...o clímax do lavar de dentes...o sabor fresco da pasta na minha língua!

Aparentemente esta conclusão é inútil, certo? Mas pasme-se o mundo...comecei a perceber que repetia este processo psicológico em mais do que uma suave (numa perspectiva psicológica) operação como seja o lavar dos dentes...o meu ritmo diário repete esta mesma equação...tento fazer as coisas que me desagradam o mais cedo possível para deixar o melhor para o fim...desde o pequeno-almoço, ao almoço fora de horas (a partir das 16h quando o ritmo de trabalho do mundo que me rodeia aparenta abrandar) e finalmente o cigarro no fim do dia.

Este padrão repete-se e condiciona as minhas escolhas nos pequenos padrões, e nos grandes? Senhores e senhoras! Está lá! Adio o lazer para amanhã, para "quando tudo estiver mais calmo" e/ou "mais organizado", e o resultado tem sido uma vida de constantes obrigações e responsabilidades sem fim que me tem levado a não ter FERIAS (com maiúsculas) À ANOS!!!

Como esta "revelação" tive várias da mesma ordem e fruto de outras observações, sendo que estou a usar esta como exemplo por ser simples e suficientemente comum para ser generalista o suficiente para servir de exemplo e/ou guia para quem ler este "Blog".

Comecei também a observar e a ouvir aquilo que digo e aquilo que faço, e a ver como muitas vezes digo coisas que nitidamente se opõem às coisas que efectivamente faço!

Nomeadamente...uma das minhas frases favoritas é "preciso de férias"...e depois...quando tenho oportunidade de as ter...só penso em trabalho!!! No que vou fazer! Nas ideias que tenho para os negócios! Nas ideias que tenho para a advocacia!

Logo...se calhar...preciso e adoro trabalhar...porquê nega-lo? É um facto sem o qual EU não sou EU...e sempre que não gostei do que estava a fazer, procurei encontrar um sentido para o que fazia que me fizesse reencontrar esse mesmo prazer que SEMPRE tive no trabalho...nem que seja o DINHEIRO que o mesmo me possa vir a dar (sim...o dinheiro com o qual penso ter aquelas férias que ando a pedir há anos...).

Outra técnica foi sentir o meu corpo...talvez a mais difícil de "experimentar"...sugiro que façam essa tentativa aparentemente fácil...sentir os vossos corpos POR DENTRO...sem se tocarem...focalizarem-se nas vossas sensações internas (e atenção que não vos digo, nem é meu objectivo, que o façam permanentemente e a toda a hora...).

Após tentar fazê-lo com o meu sistema nervoso interno (sentir-me por dentro) verifiquei que o mesmo não parece estar muito vocacionado para este propósito, com excepção talvez dos órgãos mais directamente associados aos sistemas gástrico, urinário e, admito, reprodutor.

Apercebi-me que, no que ao restante dos meus sistemas internos, que não sejam os que referi, se não estiver a tocar em "mim" não "me" sinto a não ser quando "sinto" uma dor localizada...de tal forma assim é que estive cerca de 30 minutos à procura do meu batimento cardíaco (em descanso) sem grandes resultados.

Por coincidência, e ainda relacionado com este tema, este fim-de-semana, aproveitando uma escapadela de Páscoa, fui até um SPA com a minha esposa, e enquanto ela foi descansar para o quarto...aproveitei para ir fazer uma experiência...no SPA tinham uma publicidade ao "Flotarium" que diziam ser uma câmara de isolamento onde ficaria a boiar e isolado de sons e sensações (que não a da água).

Se bem que não se tratasse de uma câmara e sim de um quarto, e o isolamento fosse só parcial, foi um ambiente óptimo para manter esta experiência que vinha a realizar, embora desta vez baseado na audição...sem som externo, talvez conseguisse ouvir os meus sons internos...pois bem...fiquei absolutamente irritado com o som da minha respiração, que raramente me deixou ouvir fosse o que fosse.

Seja como for, destas pequenas experiências verifiquei que eu (aparentemente, ou pretensamente, um ser introspectivo) não tenho noção do que se passa DENTRO DE MIM em termos sensitivos (termos aparentemente simples de processar) como sejam os sentidos em que confio diariamente para me mexer e para comunicar com o mundo a não ser para me dizer que algo me dói, que tenho fome, que algo me estimula sexualmente ou que tenho necessidade de ir à casa de banho.

Pareceu-me bastante limitativo...mas pensando bem...não foi...nada!...efectivamente os sentidos estão vocacionados para o mundo exterior...e as únicas sensações (sensoriais) internas que são efectivamente avassaladoras são...estas...as relacionadas com a sobrevivência...nutrição, excreção e reprodução (os três elementos comuns a todos os seres vivos!!!)...e Senhoras e Senhores...como elas nos condicionam! E como condicionam o nosso estado de "espírito", sonhos e realizações diárias!!!!

Das minhas sensações internas, apenas vou mencionar que alterei a minha dieta diária...e como isso tem alterado o meu estado de espírito, é absolutamente fantástico.

Seja como for, esta é a concretização que estou a fazer da descoberta do que é a minha Relva, e que procurarei partilhar convosco numa outra ocasião...mas de momento precisava de converter e demonstrar que o meu último post não era mais uma "teoria" e sim um "teorema"...de ferramentas bem fáceis de aplicar como podem ver...

Amanhã (espero eu) algumas conclusões sobre a Relva...no entanto, e antes de acabar, deixar-vos uma dica de análise...procurem pontos comuns nos ritmos/comportamentos/sensações que analisarem..qualquer ponto de partida é valido, sendo que onde esses pontos estão mais EXPRESSOS e a descoberto, normalmente, é nos "rituais" inconscientes das pequenas operações diárias (qualquer uma e todas elas)...prestem atenção aos pequenos movimentos que fazem e à ordem em que os fazem...antes de se porem a interpretar PORQUE os fazem...o padrão..se prestarem atenção...aparece por si só...se não...peçam ajuda a um conhecido/amigo/cônjuge...digam-lhes que se trata de um jogo (se preferirem)...

Ou então...recorram ao sistema que acharem mais adequado para vocês...estes são meras sugestões..e que me tem servido de muito...

Mais concreto...espero...comecemos a descobrir o nosso pedaço de relva.