quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Relva e Maslow

Continuando nos "posts" dedicados à botânica do auto-conhecimento, e conforme prometido, estava ontem a preparar-me para escrever um pouco mais sobre as minhas conclusões a respeito do que era a Relva para mim, quando subitamente me apercebí que escrever sobre as MINHAS conclusões seria um mero exercício de ego que em pouco ou nada serviria a quem lesse este Blog e que não se enquadra no sentido que lhe estou a dar, e que continuo a convidar quem o lê para partilhar comigo...quando de súbito dou por mim a ler um pequeno trecho de um autor integrado num "mini-curso" de gestão no Youtube (Maslows Hierarchy of Needs).

O que me chamou a atenção neste trecho foi simplicidade com que Abraham Maslow hierarquiriza as necessidades humanas em forma piramidal que se pode resumir da seguinte forma:

"A hierarquia de necessidades de Maslow, é uma divisão hierárquica proposta por Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada um tem de "escalar" uma hierarquia de necessidades para atingir a sua auto-realização.


Maslow define um conjunto de cinco necessidades descritos na pirâmide:
1.º Patamar: Necessidades Fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a excreção, o abrigo;
2.º Patamar: Necessidades de Segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida ou até a segurança emocional;
3.º Patamar: Necessidades Sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;
4.º Patamar: Necessidades de Estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos;
5.º Patamar (Topo da Piramide): Necessidades de Auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser: "What humans can be, they must be: they must be true to their own nature!".

É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem que ser coerente com aquilo que é na realidade "... temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais" (adaptação própria do artigo da Wikipedia intitulado "Hierarquia de necessidades de Maslow" in http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow).

Esta tese, apesar de simplista e aplicada à gestão de empresas, pareceu-me excelente para elencar por patamares a nossa situação individual enquanto pessoas (aquilo a que carinhosamente tenho chamado a nossa "relva") de uma forma objectiva, sendo que no topo, isso sim estaria o passo seguinte...as nossas aspirações e potencial.

A aplicação deste esquema teórico dos campos de necessidades humanas a um processo de introspecção pessoal pareceu-me uma ideia fantástica a por em prática.

Os resultados são fantásticos...serve até como teste à nossa satisfação pessoal, e melhor...aplicando-o verificamos, em alguns casos (como o meu, por exemplo) que logo no primeiro patamar tenho falhas complicadas a resolver.

Ora, se tenho falhas a resolver logo no primeiro patamar desta escala (que para mim tem a virtude de ser bastante directa e objectiva), porque não usa-la como guia na utulização dos processos de focalização e subrotinas que vos falei antes?

E eis que novos horizontes começam a abrir-se...

Depois de ler este resumo de teoria fiz uma pequena auto-análise breve baseada nas suas secções e eis o que descobrí:
1.º Patamar: Incompleto (sou fumador, durmo pouco, não vou publicar nada sobre a minha vida intíma obrigado, como mal e essencialmente apenas a parte excretória está a funcionar bem e regularmente!!!)
2.º Patamar: Estranhamente até está razoável, apesar de viver numa constaante insegurança económica com relação ao futuro (embora a análise deva ser feita com relação ao presente em meu ver);
3.º Patamar:  Sou extremamente individualista para ter uma vida social grupal, mas posso verificar falhas (que sempre vão existir numa relação estável...mas que se tem vindo a agravar nos últimos tempos...no campo do amor, afeto e integração social);
4.º Patamar: Pura e simplesmente desisti dele há uns anos, mas reconheço que tem extrema relevância para completar o 3.º, embora estranhamente a auto-estima esteja muito bem obrigado.
5.º Patamar: Pois é...aqui é onde deve acabar a "Relva" e começar o verdadeiro potencial.

Muito bem...desta análise breve é possível concluir muitas coisas, tantas que podem levar ao caos interno em vez de levar ao auto-conhecimento...

Para ser sincero, e fruto de ter entrado nesse mesmo caos por momentos, concluo (talvez por necessidade de auto-preservação) que não me parece que esta listagem e hierarquia seja 100% fiável...nenhum patamar vai estar INTEGRALMENTE realizado...com excepção talvez do 1.º que esse sim deve ser realizado para atingir (ou pelo menos tornar fiável a análise) dos próximos.

Utilizar esta piramide como "guia" não nos vai dizer o que é a "Relva"...quem somos...mas parece-me uma ferramenta util apenas para focalizar o nosso processo de análise nas nossas necessidades, e tentar encontrar um padrão nas mesmas, padrão este que se repete de patamar para patamar (no meu caso e na análise sumária que fiz a Profissão e necessidades profissionais ganharam um ponto elevado, pois as "faltas" estão quase todas associadas a componentes profissionais e do meu modo de encarar a vida focalizado no trabalho).

E com a Hierarquia das necessidades de Maslow encerro o capitulo da Relva...pela qual já caminho há uns dias..

Deixo-vos, para finalizar, com uma frase que pensava eu ser atribuida a um filósofo católico que primava pelas falhas e pela sabedoria do que deveria ser feito (até porque, segundo ele...ele raramente conseguia seguir os próprios concelhos e conceitos que estipulava), Santo Agostinho, mas que pela pesquisa verifiquei ser de uma outra pessoa:
"Dai-me Senhor serenidade para aceitar coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquilo que sou capaz e sabedoria para ver a diferença." (Reihold Niebuhr)

A frase é fantástica, mas na minha opinião, está na ordem errada..logo..comecemos por treinar os nossos sentidos para "ver a diferença" e depois aceitemos e mudemos,  o que acham?