segunda-feira, 24 de maio de 2010

Gestalt


Todos nós um belo dia nos levantamos de manhã e, ao ver-mo-nos ao espelho, deparamo-nos com alguém que sabemos sermos nós, mas que não corresponde bem à imagem que vimos no dia anterior antes de nos deitarmos.
Nesse momento todas as filosofias são postas de parte e passamos a mão pela cara e pelo nosso corpo, como se de algo estranho se tratasse.
As razões podem ser várias...e o choque mais ou menos intenso, mas que isto acontece por vezes acontece, e a todos nós.
Trata-se de uma alteração da percepção da realidade a que decidí (e em honra ao meu professor de filosofia) chamar de "momento Gestalt"...o momento em que subitamente nada mudou, mas tudo está diferente.
É comum acontecer quando vamos em viagem...o aparente mal-estar quando voltamos para casa, em que tudo nos parece errado, enfadonho, estranho...quando muitas das vezes fomos nós que alteramos a nossa percepção das coisas enquanto estávamos fora...e deparamo-nos com a MESMA realidade mas com NOVAS exeperiências.
Diáriamente mudamos...pensamos...crescemos...descobrimos coisas novas....mas nem sempre temos a percepção de que o estamos a fazer.
O nosso próprio corpo muda...envelhece...cresce ou mingua...porque não o deveria fazer a nossa mente? Afinal de contas a mente...a nossa percepção é um processo biológico associado ao resto do nosso corpo e não externo a ele, não é?
Assim esta multiplicidade de experiências e sensações...de pequenos crescimentos e retrocessos acumulam-se e um belo dia, da mesma forma que nos apercebemos que aumentámos de peso (ou perdemos peso)...GESTALT...o mundo mudou e esqueceu-se de nos avisar!
Já não gostamos das mesmas coisas e já não vibramos com as mesmas sensações...já não acreditamos em sonhos que antes nos faziam fechar os olhos e delirar de prazer...e deliramos com coisas que anos antes nunca imaginariamos alguma vez vir sequer a tolerar.
GESTALT! O MUNDO MUDA!
O que eu sempre achei estranho foi...porque é que este processo contorna a nossa percepção? Porque é que nos apanha desprevenidos?
Poderá ser controlado? Usado? Canalisado a favor dos nossos interesses, necessidades ou ambições?
Poderemos forçar este processo dentro de nós em nosso beneficio?
Como poedrão verificar, esta tem sido a minha principal exploração...e a minha principal tese...sim!
Quando nos sentimos demasiado gordos...o que fazemos?...dieta!
A dieta não é mais do que fazer uma opção diária a nivel alimentar...escolher aquilo que comemos em função do nosso objectivo...emagrecer.
O mesmo principio se pode aplicar às ideias, emoções e sensações...embora aparentemente de forma mais complexa (admito).
Algumas filosofias "zen" defendem este mesmo principio através da reflexão, meditação e isolamento...ferramentas aparentemente complexas e que implicam estudo, disciplina e métodos que muitas vezes não estão ao nosso alcance.
O que proponho é uma versão "fast food" do mesmo principio...afastar-mo-nos daquilo que nos deixa infelizes, mal dispostos ou que nos perturba, numa atitude nitidamente anti-freudiana.
Isolemos a nossa mente de forma tradicional...não procuremos tantas respostas e tantas causas e efeitos em tudo o que sentimos, vemos e fazemos...muitas vezes por muito que procuremos não as encontramos...estão fora do nosso alcance...porque insistir?
Se o mundo que nos rodeia nos parece feio...recorramos à ilusão para o embelezarmos...sejamos artistas plásticos do mundo que nos rodeia...quer na realidade (pintando/fotografando/descrevendo coisas belas)...quer na nossa opção das vistas para onde olhamos diariamente...
Forcemo-nos a acreditar que o mundo é bom e que as pessoas que o preenchem são boas...estão de boa fé e não nos querem mal..embora isso por vezes seja uma ilusão é tão ilusório como o contrário!
Se as noticias e noticiários nos fazem temer o mundo, mudemos de canal e façamos disso uma regra diária (NÃO VER NOTÍCIAS)...vejamos comédias e series de ficção (sendo que a ficção ciêntifica parece-me ser o caminho que menos agruras nos trás...até porque mesmo nas series mais violentas deste género normalmente os maus são monstros extra-terrestres e não humanos!!!).
Voltemos a acreditar no Pai Natal...que bela figura essa que apenas nos trás prendas e que se rí por tudo e por nada...uma ilusão bela e bastante positiva e perfeitamente inóqua!!!
Com algumas destas medidas estamos a criar a nossa própria percepção...baseada naquilo que QUEREMOS vêr...e não naquilo que INCONSCIÊNTEMENTE acabamos por vêr e que, admitamos, muitas vezes é uma ilusão gerada pelo nosso consciente.
A diferença entre ambas as situações nasce neste ponto essencial...na actuação CONSCIENTE sobre a nossa própria percepção...face à compulsão INCONSCIÊNTE.
Até porque a realidade é uma mera percepção...não é aquilo que vemos ou sentimos...é algo mais ou menos...alterado pelo nosso estado mental.
Desta forma estaremos a alterar a nossa realidade com um plano...nem que seja o mero plano de experimentar as sugestões de um louco (neste caso...EU...).
Estou a advogar a corrupção dos sentidos e da mente!!!Admito que talvez esteja...se servir um propósito pessoal...porque não?...